Bruno ficou paralisado por um instante, depois abaixou a cabeça e respondeu:
— Sim.
Não disse mais nada.
Joana achou graça da situação.
Já havia uma diferença tão grande entre ele e a senhorita Talita, e mesmo assim ele ainda não sabia o que era se esforçar.
A família Santos não era do tipo que desperdiçava comida com quem não merecia.
Mas criar alguém como Zoé Santos, cheia de maus antecedentes, sem educação alguma e sem o menor traço de ambição… Será que a família Santos não se importava mais com sua reputação?
……
Zoé Santos acordou antes das dez.
Havia dormido pouco menos de quatro horas.
Enquanto caminhava até o banheiro, uma aura pesada a envolvia; seus cílios longos e retos encobriam as pálpebras, e um rubor frio e inquieto pairava sob seus olhos.
Lavou o rosto com água fria.
Só então aquela energia assustadora e agressiva que a cercava começou a se dissipar.
O celular vibrou. Era uma ligação de alguém salvo como "Pei".
— Ouvi dizer que você está em Cidade R. Podemos nos encontrar? — do outro lado, uma voz levemente envelhecida, porém imponente e firme, chegou acompanhada de um respeito contido.
— Claro, tenho mesmo um assunto pra tratar com você — respondeu Zoé Santos, a voz rouca de quem acabou de acordar, carregada de uma frieza impaciente.
— Ótimo. Nos encontramos no mesmo lugar de sempre — a voz do outro demonstrou uma ansiedade disfarçada, mais intensa do que antes.
Zoé Santos desligou. O pulso magro e claro se destacou quando ela prendeu o relógio de metal preto no braço.
Trocou a blusa por uma camisa branca de seda, de mangas curtas.
A garota era alta e magra, o corpo frágil envolvido por roupas largas.
Sua pele possuía um tom frio, quase translúcido, como neve.
Toda sua postura exalava frieza e rebeldia.
Com a mochila preta pendurada em um ombro, saiu e desceu as escadas.
……
No salão do primeiro andar.
Thiago Santos atendeu o telefone.
Pela expressão, a conversa não ia nada bem.
Ele franziu a testa e olhou para o Sr. José.
Seu ar era frio, pesado.
Thiago Santos se virou para ela, pedindo desculpas:
— Zoé, sobre o colégio de Cidade H… Fiz o possível. O melhor que posso oferecer é a turma de destaque do Lumiar. O que acha?
— Hm? — Zoé respondia uma mensagem e nem percebeu o que ele dizia.
— Perguntar pra ela resolve? Com as notas que ela tem, acha mesmo que pode escolher alguma coisa? — Apesar da bronca recente do patriarca, Patrícia Lacerda não conseguiu se conter e soltou um comentário sarcástico — Eu já disse: Cidade H não aceita qualquer um. Foi se humilhar à toa, só pra passar vergonha à família Santos.
Thiago Santos suspirou, resignado:
— Mãe…
Patrícia, incomodada com a situação, só queria descontar sua frustração. Mas, ao receber um olhar severo de Rubens Santos, calou-se, resmungou e tomou um gole de café, sem continuar.
— Vovô, papai, mamãe, Thiago…
No meio do clima tenso, uma voz doce e delicada surgiu na entrada.
Todos se viraram.
Talita Santos e Tomás Santos entraram pela porta.
Ao ver a filha exemplar, Patrícia Lacerda imediatamente se levantou, a surpresa e a alegria transparecendo na voz:
— Talita!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...