Diferente do silêncio e da indiferença que pairavam no salão quando Zoé Santos retornara, agora o ambiente estava completamente transformado.
Todos os empregados interromperam suas tarefas, inclinando-se respeitosamente para o lado.
— Sr. Tomás, senhorita.
Zoé Santos coçou o ouvido, achando tudo aquilo um tanto barulhento.
Ela lançou um olhar frio e desinteressado ao redor, voltando-se em seguida para responder a uma mensagem em seu celular.
Como se estivesse cansada de ficar em pé, acomodou-se preguiçosamente, de lado, no braço do sofá.
Assim que Talita Santos entrou, notou imediatamente a presença de Zoé Santos. Lançou-lhe um olhar de longe.
Aquela figura alta e esguia mantinha a cabeça baixa, exibindo apenas um perfil... a pele era iluminada...
Talita Santos surpreendeu-se. Era muito diferente do que imaginara sobre uma garota oriunda de um bairro pobre: pensava que teria a pele escura e áspera, mas ali estava alguém de aparência refinada.
O semblante de Talita Santos mudou sutilmente.
— Não disseram que só voltariam à noite? Por que adiantaram a volta? — Patrícia Lacerda segurou a mão de Talita Santos.
Falando com Talita, Patrícia parecia radiante, os olhos cheios de carinho.
Talita Santos afastou o olhar curioso de Zoé Santos sem demonstrar emoção.
Ainda não tinha respondido.
Tomás Santos, com uma mão no bolso, explicou:
— O Diretor Ivan teve um compromisso e ligou para Talita na madrugada. Ela foi aprovada na primeira seleção do processo autônomo da Universidade Cidade Capital. Como a viagem terminou, voltamos.
Todos ao redor de Talita Santos ficaram surpresos e felizes.
— O quê? Passou na primeira seleção? — O tom de Patrícia Lacerda era de pura empolgação, quase saltando de alegria.
Talita Santos, com o canto dos olhos, percebeu Zoé Santos sendo deixada de lado.
Ela então sorriu discretamente e assentiu, respondendo com elegância:
— Sim, mamãe.
O acampamento de matemática da Universidade Cidade Capital era um evento para o qual, em toda a Cidade R, apenas Talita Santos havia sido selecionada.
Rubens Santos já achava incrível Talita ter recebido uma oferta de matrícula da Universidade de Tecnologia da Cidade Capital; a viagem já teria valido só por isso.
Mas ainda havia notícias melhores.
A seletiva da maior universidade do país era notoriamente difícil de passar.
O mais importante: ser aprovada nessa primeira etapa garantiria a Talita um bônus de vinte a sessenta pontos adicionais no vestibular.
No mínimo, vinte pontos a mais!
Patrícia Lacerda assistia à cena, divertida, como quem sabe que é inútil insistir.
Talita Santos já havia visto os relatórios escolares de Zoé Santos.
Tanto em conhecimento quanto em vivência, Zoé tinha pouco a apresentar. Eram de mundos completamente diferentes.
Talita observou Zoé, recostada de lado no sofá.
Uma perna dobrada, postura largada, nada convencional.
Chupava uma bala, distraída.
Cabeça baixa, dedos longos passeando preguiçosamente pela tela do celular.
Havia nela um certo ar rebelde... quase desajustado.
Lembrava bem aqueles jovens que não se interessam por nada, meio marginais.
Talita sorriu docemente, com gentileza:
— Zoé, podemos fazer as tarefas juntas, se quiser. Se tiver alguma dúvida, pode perguntar a qualquer momento.
Zoé Santos parecia alheia, mas ao ouvir seu nome, respondeu educadamente:
— Veremos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...