DUDA NARRANDO:
Ele deu um passo à frente, com os olhos cheios de fúria, a mão levantada como se estivesse pronto para me golpear.
— Escuta aqui, sua vagabunda, você não vai me xingar de corno!
Num reflexo rápido, puxei a pistola da minha bolsa, engatilhando sem hesitar.
— Vai fazer o quê, seu corno? Acha que eu sou uma dessas mulheres indefesas que você grita e ofende? Mais um passo, e eu atiro.
Os olhos dele se estreitaram, desafiando-me.
— Atira, sua puta. Eu não tenho medo de você ou daquela sua família de merda.
Foi a gota d'água.
Mirei na clavícula dele e puxei o gatilho, o corpo dele recuou com o impacto, um grito de dor rasgando o ar.
— Você deveria ter medo, Renan, — gritei. — E nunca mais fale da minha família, seu bastardo. Você sim é um merda!"
— Porra! Sua louca! Você atirou em mim! — Ele apertava a mão contra a ferida, com o rosto contorcido de dor. — Você me machucou, caralho!
— A próxima bala vai ser na sua cabeça, seu desgraçado. Além de corno, você acha que pode me intimidar? Você não pode! — Eu mantinha a arma firme, com a mira agora apontada para a cabeça dele.
Ele caiu sentado na cama, com a respiração ofegante.
— Vai me matar? Então mata logo! Porra, eu não queria te machucar!
— Você não queria me machucar? Só expor vídeos meus transando com você pra todo mundo? Cadê as cópias? Me dá seu celular, AGORA!
Renan, ofegante, murmurou:
— Eu mudei de ideia… não queria te expor mais…Cazzo!
— Ah, mudou de ideia? Que bonzinho! — Minha voz pingava sarcasmo. — E agora vai dizer que se apaixonou, não é? Como uma arma apontada para sua cabeça muda as coisas.
— Eu não queria me apaixonar por você, Eduarda. Mas aconteceu...— Ele me olhou com uma sinceridade nojenta, como se estivesse esperando alguma redenção.
— Eu quero que você se foda! — Apertei a arma contra a clavícula dele. — Me dá a merda do celular!
Com um gemido de dor, ele tirou o celular do bolso e me entregou. Coloquei o aparelho na minha bolsa e ordenei:
— O outro, me dá o outro também — Eu disse pressionando mais contra o seu machucado.
— AAAAI, caralho!— Ele tirou outro celular do bolso, entregando para mim.
Me aproximei dele, com a arma ainda apontada para sua cabeça, meu rosto quase colado ao dele.
— Sabe por que eu não vou te matar hoje, Renan? Porque a minha vingança vai ser outra. Você vai viver sabendo que perdeu a chance de ter uma mulher foda, por causa do seu orgulho, egoísmo e uma vingança por uma vadia que não merecia. Eu sou melhor que todas as mulheres que você já conheceu nesta vida, todos os dias você vai ser atormentado por isso, pela sua própria cabeça!
Ele me olhou com raiva e dor.
— Você também não vai me esquecer, Eduarda. Eu sei que mexi com você.
Ri na cara dele, com desprezo.
— Você? Querido… eu já tive melhores, mais jovens, mais ricos, mais poderosos. E acredite, vou continuar vivendo minha vida, ficando com outros homens, e com outras mulheres também. Mas você, Renan? Você vai sentir saudade, porque eu te dei o melhor sexo da sua vida. E você vai me querer de volta, mas eu nunca vou te dar outra chance.
Ele riu, amargo.
— Nós nunca daríamos certo, Maria Eduarda. Somos completamente diferentes.
— Por causa da sua estupidez, a gente nunca vai saber disso. — Virei de costas, mas antes de sair, voltei e dei um tapa forte no rosto dele. — Isso é por ter me usado, seu lixo! Se você aparecer na minha frente de novo, eu te mato. É melhor sumir do México e deixar minha família em paz.
Ele nem piscou, continuou calmo, como se já esperasse por isso.
— Sua mãe nos mandou para fazer o serviço de limpeza, senhorita — explicou, com a voz baixa e controlada.
Limpeza.
Que merda. Claro que ela tinha pensado que eu mataria o bastardo.
— Não vai precisar — rebati, já sem paciência. — Agora me deixem em paz! — E virei as costas, indo em direção ao meu carro sem dar chance de resposta.
Destravei a Range Rover, entrei e bati a porta com força. O barulho ecoou, mas não me importei. Liguei o carro e acelerei, saindo do lugar quase derrapando nas primeiras curvas. Eu precisava sair dali, precisava queimar gasolina, descontar aquela raiva em qualquer coisa que não fosse eu mesma.
Dirigi sem rumo, sem saber para onde estava indo. Minhas mãos apertavam o volante até os nós dos dedos ficarem brancos, e eu dava socos no volante, xingando, gritando dentro do carro.
As lágrimas começaram a cair sem que eu percebesse.
Droga. Eu realmente fui idiota a ponto de gostar dele. Eu me permiti baixar a guarda e o desgraçado fez isso. Me usou. Ele podia ter resolvido tudo com o Rodrigo, eu até teria admirado ele por isso, mas não...
Ele escolheu usar a mim, e isso... isso foi demais.
Acelerei mais, sentindo o motor rugir, tentando afogar a dor, mas as lágrimas continuavam caindo.
Idiota, idiota, idiota...
— Serão as únicas lágrimas que ele vai ter de mim — murmurei para mim mesma, enxugando o rosto com raiva. — E a última vez. Porque um rato como ele não merece nada. Nada além de se ferrar de vez. Bem feito, chifrudo do caralho! — gritei para o vazio, acelerando ainda mais.
Cada quilômetro que deixava para trás parecia levar um pedaço daquela raiva, mas o ódio ainda estava ali, queimando, esperando pelo momento certo para cobrar o que ele merecia.
E ele ia pagar. Ah, como ia.

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