RENAN NARRANDO:
Madah não reagiu de imediato.
Ela apenas me observava, fria, controlada. Depois de alguns segundos, perguntou com um tom desinteressado:
— E o que você queria com tudo isso, Renan?
Eu me senti ainda mais vulnerável com aquela pergunta, mas respondi, tentando manter a calma.
— Eu só queria machucar o desgraçado do seu filho, tanto quanto ele me feriu… expor a família de vocês. Mas nunca matar ninguém. Eu jamais seria capaz disso, não sou um assassino.
Madah soltou uma risada seca, carregada de desprezo.
— Ah, claro, você não é capaz de segurar uma arma e puxar o gatilho. — Ela deu um passo à frente, inclinando a cabeça de leve. — Você não tem bolas para isso, Renan. É por isso que agiu como um rato, usando minha filha para entrar na minha casa. Deveria ter vergonha de fazer tudo isso por uma mulher que te traiu.
As palavras dela me atingiram como um soco no estômago. Cerrei os punhos, com minha raiva fervendo, mas mantive a compostura.
— Eu sou um estrategista, senhora. Não tripliquei a herança dos meus pais com armas e tiros, como vocês criminosos fazem. Sempre usei minha cabeça. — Minha voz saiu irritada, cada palavra atravessando o ar como uma lâmina.
Ela riu de novo, dessa vez com um ar quase divertido.
— Você é um corno burro, isso sim. Se fosse estrategista, teria recalculado a rota ao mirar na minha família. Porque, sim, somos criminosos, e homens como você… eu gosto de assistir serem cortados e depois servir como alimento aos meus cães. — Madah se levantou, caminhando lentamente na minha direção. O olhar dela queimava de desprezo, e cada passo seu parecia mais ameaçador.
Eu travei o maxilar, tentando manter o controle.
— Eu vou pedir para a senhora, por favor, não falar assim comigo. — Minha voz saiu mais baixa, mas não menos carregada de fúria.
— Isso te irrita, Renan? Ouvir a verdade? Porque você é corno, isso é um fato. — Ela deu um passo para trás, me avaliando com um sorriso debochado. — Não fique bravo comigo, não fui eu que te traí… Mas ser burro é uma escolha.
Eu queria gritar, bater na mesa, fazer qualquer coisa para parar aquela tortura. Apertei o punho, o braço que ainda estava bom tremia de raiva.
— A minha dor te diverte então? Seu filho é um talarico, que me traiu dormindo com a minha mulher, e sai impune? — rosnei, minha voz carregada de frustração.
Madah balançou a cabeça lentamente, como se estivesse prestes a me dar uma lição.
— Eu não disse isso, Renan. Não concordo com o que Rodrigo fez, muito menos com o que Micaela fez. Afinal, ela era sua esposa, e era ela quem devia satisfação, respeito e fidelidade a você. Mas… se o seu casamento não deu certo, com certeza você tem culpa nisso. — Ela gesticulou com calma, como se estivesse explicando algo óbvio. — Acha que eu não te investiguei? Descobri que você é viciado em trabalho… Pensou que sua mulher ia ficar em casa com fogo enquanto você só estava focado na empresa? As mulheres têm suas necessidades.
Aquilo foi demais. Eu explodi.
— Mas que diabos você está dizendo? Eu trabalhava para dar tudo do melhor para aquela mulher! Foi o seu filho que a seduziu! — Eu quase gritei, sentindo minha garganta secar de raiva.
Madah inclinou a cabeça, como se estivesse ponderando minha reação.
— Renan, me responde uma dúvida, antes de cortar a cabeça do seu funcionário Erik, nós o torturamos. Ele disse que você mandou sequestrar o meu neto. É verdade isso? Você ia sequestrar uma criança inocente? — A voz dela era afiada, cada palavra me cortava como uma lâmina.
Eu respirei fundo, apavorado.
— Eu nunca ia fazer mal à criança! Eu juro, não sou um monstro! Só queria dar um susto no Rodrigo. — Eu sentia as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. — Ele e Micaela estão vivendo felizes, como se nada tivesse acontecido, enquanto eu… eu estou destruído. Perdi as chances de amar, perdi meu respeito, minha dignidade, tudo.
Madah suspirou, parecendo refletir sobre o que eu disse.
— Sua raiva está cegando você. Isso é muito perigoso, um homem de negócios não pode ser movido pelos sentimentos — Ela parou por um momento. — Pesquisamos muito sobre você. Sabemos o quanto ajuda entidades carentes e como construiu um império com as fábricas do seu pai. Não quero te matar hoje, Renan. Então vou te dar duas opções, para você ver que nós, Rodriguez Corleones, somos justos.
Eu permaneci em silêncio, meu coração disparado, esperando o veredito.
— A primeira opção é: você pegar aquela mala com suas coisas, que já arrumamos, vai embora do México, volta para a Itália, esquece meu filho e sai no lucro. Aproveite que se divertiu com minha filha e siga sua vida. — Ela parou, me encarando. — Ou você fica aqui no México, insistindo na sua vingança. Mas, então, você morre. E eu vou servir seu corpo aos meus cães essa noite. O que você escolhe?
Ela me olhava com seriedade, e eu senti um calafrio percorrer meu corpo. Que porra de escolhas eram aquelas? E que garantias eu tinha de que ficaria vivo se escolhesse ir embora?
Mas de tudo isso, o que mais me doía era saber que perdi Maria Eduarda.

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