Bruna sorriu.
— Estou brincando. Você sabe, a sede da minha joalheria fica em Porto do Sopro Solar, preciso voltar a trabalhar.
Então, ela ficou séria.
— Cynthia, embora você e meu irmão tenham começado com um casamento de conveniência, acredite em mim, ele com certeza se apaixonou por você.
Cynthia franziu os lábios e baixou os olhos, sem dizer nada, com o coração em tumulto.
Anselmo era como uma flor no topo de uma montanha inalcançável, um homem que ela podia admirar de longe, mas nunca alcançar.
Ele ter concordado com o casamento de conveniência, pagando as despesas médicas de sua mãe e fornecendo os melhores recursos médicos, já era mais do que suficiente para ela.
Ela não ousava sonhar que Anselmo se apaixonaria por ela.
...
À noite, depois do banho, Cynthia escreveu um pouco mais do seu TCC.
Assim que fechou o computador, ouviu batidas na porta: *toc, toc, toc*.
— Entre.
A porta se abriu e Anselmo entrou.
— Anselmo. — As pálpebras de Cynthia tremeram.
Anselmo disse.
— De agora em diante, deixe o motorista te levar para a empresa.
— Não precisa se incomodar, eu posso pegar o metrô.
O homem sorriu.
— Nem consegue entrar no elevador?
— Bem... — Cynthia forçou um sorriso constrangido. — Eu não sabia que estaria tão cheio.
— Comprei um carro mais discreto para você, não vai chamar muita atenção. — Anselmo lhe entregou uma chave de carro.
Cynthia olhou para a chave. O logotipo do carro era de uma marca econômica, incomparável aos carros de luxo na garagem de Anselmo.
Realmente discreto.
Mas comprar um carro só para ela ir trabalhar, não era um luxo excessivo?
Como os ricos compravam carros como se estivessem comprando pão na padaria.
Cynthia queria recusar, mas pensando que Anselmo já o havia comprado, ela aceitou.
— Obrigada, Anselmo.
Anselmo afagou a cabeça de Cynthia.
— Somos uma família, não precisa agradecer.
Uma família...
A chamada foi direto para a caixa postal.
— Ligue de novo! — Ordenou Paula com frieza.
Carolina ligou mais duas vezes, mas ninguém atendeu.
— Ele não está atendendo minhas ligações. — Disse Carolina, desamparada.
Paula reclamou.
— Como você não consegue controlar seu próprio homem? Você é a noiva de Yadson, vão se casar assim que se formarem. Como é que você ainda não consegue controlá-lo?
Carolina manteve a cabeça baixa, sem ousar responder.
As provas contra seu pai, Gustavo, eram conclusivas, e o julgamento seria em breve. Sua mãe havia fugido com todos os objetos de valor que pôde levar, e os bens que não puderam ser levados foram confiscados.
Agora, ela não tinha para onde ir e vivia de favor na casa da família Fernandes.
Antes do desastre de sua família, Paula gostava muito dela, elogiando sua inteligência, beleza e competência, dizendo que ela era a futura nora da família Fernandes.
Mas agora que sua família havia desmoronado e ela estava noiva de Yadson e morando na casa dos Fernandes, sua futura sogra, Paula, a olhava com desaprovação o tempo todo, criticando-a a cada palavra.
Era Yadson quem era inconstante e infiel, quem tinha uma noiva, mas continuava a perseguir sua ex-namorada e a ficar fora de casa o dia todo.
Mas Paula não culpava o próprio filho, em vez disso, descontava sua frustração em Carolina.
Carolina só podia suportar tudo em silêncio, sem sequer ousar retrucar.
— Chega. Por que você está falando com ela? É o seu filho que não volta para casa. — Henrique interveio. — Fale menos durante o jantar.

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