O coração de Cynthia disparou, e ela se rendeu.
— Sim, Anselmo, isto é para você.
A garota estendeu as cartas de amor, mas não ousou levantar a cabeça para olhar o rosto dele.
Anselmo baixou o olhar para o que ela segurava, imaginando o que era.
Cartas de amor.
Ele recebia muitas.
Anselmo pareceu hesitar por um momento antes de pegar as cartas.
— Você... — começou Anselmo.
Antes que ele pudesse terminar, Cynthia se apressou em dizer.
— Estas são cartas de amor que as garotas da escola escreveram para você. Elas pediram para a Bruna entregar, mas a Bruna teve uma dor de barriga e foi ao banheiro, então me pediu para te entregar.
Ela não se atreveu a olhar nos olhos de Anselmo, apenas ouviu um leve "uhm" dele.
Ficar a sós com Anselmo era agonizante. Ela se acovardou, entregou as cartas e saiu correndo.
Lembrando daquela cena, Cynthia não pôde deixar de rir baixo.
Ao seu lado, os cílios de Anselmo tremeram levemente, e ele abriu os olhos devagar.
— Do que está rindo?
— Te acordei? — Cynthia respondeu com um olhar terno e um sorriso. — Você se lembra daquela vez no colégio, quando eu te entreguei umas cartas de amor? Eu era secretamente apaixonada por você, não conseguia te olhar nos olhos. Meu coração disparava e minha mente ficava em branco só de falar com você.
— Você era apaixonada por mim naquela época? — A sonolência nos olhos de Anselmo desapareceu instantaneamente, e seu olhar brilhou.
— Sim. — Cynthia assentiu. — Na verdade, foi amor à primeira vista.
Isso, ela nunca havia contado a Anselmo.
Anselmo ficou atônito.
— E por que você não me contou?

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