No dia seguinte, quando Cynthia acordou, Anselmo ainda estava deitado ao seu lado.
Hoje ele não precisava ir para a empresa, podia dormir um pouco mais.
Ela não sabia a que horas ele tinha dormido na noite anterior. Estava tão exausta que simplesmente adormeceu.
Na sua memória, quando adormeceu, o homem ainda a pressionava, exigindo mais.
Era raro ver Anselmo acordar mais tarde que ela. Talvez ele estivesse muito ocupado nos últimos dias, trabalhando sem parar, ou talvez a noite anterior tivesse sido longa e ele estivesse realmente cansado.
Sob a luz do sol que se infiltrava pelas frestas da cortina, o olhar de Cynthia percorreu o rosto do homem centímetro por centímetro.
Ela nunca se cansava de olhar para aquele rosto bonito e requintado.
Como alguém podia ser tão perfeito, como se fosse a obra-prima de um deus criador, bonito até no último fio de cabelo.
Cynthia lembrou-se da primeira vez que o viu.
Ele saiu da piscina, com o peito nu, e as gotas de água escorriam por sua clavícula, seu abdômen, e finalmente pingavam no chão, como as batidas do seu coração, uma após a outra, rápidas e desordenadas.
O crepúsculo de verão banhava seu corpo, e quando ela viu aquele rosto, ficou maravilhada, seu coração disparado.
Amor à primeira vista era simples assim.
Naquela época, ela era insegura e tímida, e nunca imaginou que um dia acordaria ao lado daquele homem.
Naquela época, ela nem se atrevia a olhá-lo nos olhos. Só de vê-lo, suas bochechas esquentavam e seu coração acelerava.
Ela se lembrava de uma vez em que Bruna a convidou para a casa da família Machado.
Naquela ocasião, Bruna levou algumas cartas de amor que as garotas da escola haviam escrito para Anselmo, pedindo que ela as entregasse.
Anselmo já estava na faculdade, mas ainda tinha uma legião de fãs no Colégio Pioneiro, afinal, era considerado o rapaz mais bonito da história da escola.
Assim que chegaram à casa dos Machado, Bruna de repente apertou a barriga.
— Droga, estou com dor de barriga. Deve ser por causa daquele camarão frio que comi. Preciso ir ao banheiro.
Ao lado da escola havia uma rua de comida de rua, com muitas barracas na hora da saída.
Os pais de Bruna a proibiam de comer naquela comida de rua, mas ela era gulosa e às vezes pagava caro para que colegas comprassem para ela, comendo escondido na escola antes de sair.

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