Carolina sentou-se no sofá ao lado, com os olhos marejados.
— Sr. Fernandes, o senhor não disse que meu avô lhe fez um grande favor e, antes de morrer, pediu que cuidasse de mim? Mas a família Fernandes cancelou o noivado. Buááá, sou uma órfã. O que eu vou fazer?
Ao ouvi-la, Henrique sentiu-se constrangido.
Ele suspirou, aproximou-se e sentou-se no sofá ao lado dela, consolando-a com uma voz suave.
— Carolina, Yadson foi injusto com você ao cancelar o noivado. Nós, da família Fernandes, fomos injustos com você. Mas a decisão está tomada. Não fique tão triste. Farei o possível para te compensar.
As lágrimas de Carolina rolaram como pérolas de um colar arrebentado.
— Compensar? Como? Agora eu virei motivo de piada em todo lugar. Não tenho mais coragem de encarar ninguém. A ex-namorada do Yadson até contratou um advogado para me processar.
Vendo Carolina chorar com os olhos vermelhos e inchados, Henrique sentiu o coração amolecer, cheio de compaixão por ela.
Ele disse em um tom gentil.
— Eu não contratei um advogado para te defender no processo?
Carolina fungou e disse entre soluços.
— Sim, contratou. Mas a assessoria de imprensa do Grupo Fernandes publicou a notificação extrajudicial e a petição inicial na internet. Minha reputação está arruinada. De que adianta um advogado? Agora todos sabem que fui processada pela ex-namorada do Yadson.
Carolina chorava desconsoladamente, e sua aparência lamentável fez com que Henrique não suportasse.
Henrique suspirou.
— Também acho que o que Yadson fez foi exagerado. Eu já o repreendi.
A princípio, ele não concordava que Yadson publicasse a notificação e a petição na internet.
Mas não conseguiu demover Yadson de sua insistência.
Agora, com a relação com o Grupo Cordeiro em mãos, Yadson conseguia atrair grandes investimentos.
Henrique, pensando nos interesses da empresa, acabou cedendo.
Ele também sentia que isso era levar as coisas longe demais e que faria Carolina perder o respeito em seu círculo social.
Nos últimos dias, Henrique fez o possível para compensar Carolina.
Ele transferiu uma grande quantia de dinheiro para ela.
Yadson não queria morar na mesma casa com Carolina e insistiu para que ela se mudasse.
Henrique então transferiu um apartamento para o nome dela.
Agora, Carolina morava em um apartamento de luxo na segunda zona de Horizonte Azul e tinha um milhão e quinhentos mil que Henrique lhe transferira.
Caluniar Cynthia já era culpa de Carolina.
Como noiva de Yadson e futura dona da família Fernandes, suas ações envergonhariam a família, e o cancelamento do noivado era compreensível.
Além disso, o noivado em si não foi voluntário por parte de Yadson.
Carolina não tinha o direito de condená-lo por cancelar o noivado.
Henrique lhe deu um milhão e quinhentos mil e um apartamento.
Em teoria, ele já tinha feito mais do que o suficiente.
Para transferir o apartamento para Carolina, Henrique até brigou com Paula, e o casal não se falava há três dias.
Mas agora, vendo Carolina chorar tão desconsoladamente, a compaixão de Henrique foi despertada novamente.
— Não chore mais. — Henrique pegou alguns lenços de papel e os entregou a Carolina.
— Buááá... — Carolina se jogou nos braços de Henrique, chorando.
Henrique ficou paralisado, com uma expressão atônita.
Ele ainda segurava os lenços de papel, tão chocado que não sabia o que fazer com as mãos e os pés.
No primeiro momento, Henrique não afastou Carolina.
Isso, sem dúvida, deu coragem a Carolina.
Ela ousadamente passou os braços ao redor da cintura de Henrique, choramingando em seu peito.
— Estou sofrendo tanto. Nestes dias, não consigo comer, não consigo dormir. Sinto que não vou conseguir mais viver.
— Não diga essas coisas de mau agouro. — Henrique, vendo-a tão lamentável, não teve coragem de afastá-la. — Você ainda tem eu aqui.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos Desperdiçados em Troca da Verdadeira Felicidade