Cristiano Jardim tinha uma expressão fria. Ele alisou a manga com os longos dedos e disse: — Não foi nada, vamos.
— Tudo bem... O senhor primeiro.-
— Obrigado.
Cristiano assentiu de forma contida, entrou no elevador e, ao se virar, viu as costas de Renata se afastando.
Sob o sol de inverno, ela usava um casaco bege; o cabelo escuro caía macio pelas costas, balançando levemente a cada passo.
Parecia calma e suave.
O que o fez lembrar, inevitavelmente, do perfil bonito que viu rapidamente agora há pouco.
Sentiu um puxão repentino no peito. Não doeu, mas foi impossível de ignorar.
Voltando a si, Cristiano não pôde evitar de franzir a testa, não se permitindo pensar mais nisso.
Sua Luna Martins havia falecido há três anos.
Aquela garota tinha apenas o perfil parecido com o dela!
...
Depois que Renata saiu da empresa, ainda nevava lá fora e o vento frio soprava.
Mas, por mais frio que estivesse, não se comparava ao frio em seu peito.
Sem querer ir para casa, ela encontrou uma cafeteria e entrou para se sentar.
Pediu um café com leite e, pouco depois de se sentar, seu celular tocou de repente.
Renata despertou, desviou o olhar da janela, olhou para a tela do celular, enxugou as lágrimas no canto dos olhos e atendeu.
— Alô, veterano.
O outro lado fez uma pausa e bufou: — Ainda sabe me chamar de veterano, então por que não me ligou? Se eu não ligar para você, você não me liga.
Renata não conseguiu evitar de rir.
— Você tem razão, veterano, da próxima vez com certeza eu lembro.
— Hmph.
Os dois trocaram algumas gentilezas.
O homem entrou no assunto principal: — A exposição de design daqui a três dias, reservo um ingresso para você como de costume?
Renata hesitou por um momento: — Sim.
— Toda vez que eu te dou ingresso, você não vai.
— Dessa vez eu vou.
— Hã? Eu ouvi bem?
Renata baixou os olhos, tomando uma decisão: — Já decidi. Vou voltar ao mundo do design. Em alguns dias, também pretendo sair do Setor Norte e ir para Sulina.
— O quê?!
Renata respirou fundo e contou a ele o que havia acontecido de manhã.
Depois de ouvir, mesmo com seu bom humor, o homem não se conteve e xingou.
— Esse Wilson é um animal? Fazer isso com você.



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