Renata escutou os passos dele correndo atrás dela. Mas não demorou nada e os passos pararam.
Ela sabia.
Ele achou que não era necessário.
Ele achava que ela ia continuar igual, era só chamar e mandar umas palavras doces que ela ia voltar.
Ele achava que a Sabrina era mais importante do que ela.
Era uma pena.
Dessa vez, ela não olharia para trás!
Renata engoliu seco, saiu pisando duro e foi para o elevador.
E não achou que daria de cara com Camilo.
Ela recuou de instinto e falou de forma vazia:
— Oi, Camilo.
Camilo segurava alguns papéis. O olhar dele pousou no rosto pálido e nos olhos vermelhos de Renata e ele congelou.
— Você chorou? Brigou com o Sr. Lopes?
Camilo era um dos poucos que sabia sobre ela e Wilson.
Renata parou; a mão foi direto para os olhos e ela sentiu o peito pesar mais.
Tinha chorado na noite passada; os olhos acordaram inchados e ela escondeu com maquiagem.
Não esperava que Camilo percebesse.
E o Wilson não viu.
Ela apertou os dedos e sacudiu a cabeça, a voz rouca.
— Não. Eu não dormi direito à noite.
Camilo paralisou por um instante: — Entendo.
Renata deu um sorriso pequeno e entrou no elevador.
Camilo percebeu o clima e, sem mais perguntas, foi entregar os papéis para Wilson.
E abriu a porta do escritório.
Wilson estava parado perto da janela grande, fumando. O paletó dele estava encostado na cadeira e ele vestia uma blusa branca. O botão de cima estava solto, passando um ar elegante e desprezível.
Ele falou com a voz grave: — Deixe isso na mesa e faça algo por mim.
...

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