— Não tenho caneta aqui. Vou levar para assinar no escritório.
— Não precisa ter esse trabalho. Vou pedir para a Dona Marina trazer uma para você.
Vânia Viana elevou o tom de voz e chamou Dona Marina, que já aguardava no corredor.
— Senhor José, a caneta.
Vânia Viana acompanhou atentamente cada movimento. Assim que José Domingos pegou a caneta, Dona Marina foi muito prestativa e já deixou o contrato aberto na página de assinaturas.
O coração de Vânia batia cada vez mais forte.
Isso porque ela havia escondido o novo acordo de divórcio no meio do contrato de transferência da casa. O documento tinha muitas páginas. Se ele não prestasse atenção, nunca notaria a armadilha.
José Domingos posicionou a ponta da caneta na linha de assinatura. Mas, bem no momento em que ia começar a escrever, o seu olhar paralisou.
O coração de Vânia Viana e de Dona Marina veio à boca!
Afinal, o homem era o grande CEO de um império. Bilhões passavam por suas mãos, e os anos no mundo dos negócios haviam gravado a desconfiança e a cautela em seu próprio DNA.
Justo quando José Domingos estava prestes a folhear o documento desde o começo...
O seu celular tocou.
Na tela, o nome "Pequena Rosa" brilhou, como um insulto aos olhos.
A respiração de José Domingos ficou pesada de tanta tensão.
Ele não hesitou mais. Rabiscou sua assinatura de forma rápida e fluida, e com a outra mão atendeu o telefone:
— O que houve?
— José... Eu sofri um acidente de carro! Estou com muito medo... Vem me ajudar, por favor!
— Não entre em pânico, eu estou indo para aí agora!
O homem desligou, jogou a caneta na mesa de cabeceira e levantou-se num pulo.
— Vânia, a Camila sofreu um acidente de carro no caminho para casa. Eu vou lá ver como ela está e volto rápido!
Vânia Viana observou enquanto ele saía correndo do quarto.
Ela sabia muito bem que, naquela noite, ele não voltaria.
Que maravilha.

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