Quando Vânia Viana acordou no dia seguinte, percebeu que o lado da cama ao lado dela estava amarrotado.
Isso significava que José Domingos havia voltado para dormir em casa.
O estômago de Vânia revirou de nojo. Ela se levantou e foi para o banheiro.
Assim que saiu do banho, Dona Marina se aproximou com um envelope nas mãos:
— Senhora, isso chegou logo cedo. Não tem remetente.
Ela pegou o envelope e abriu. — Foi a senhorita Monteiro quem enviou.
Dona Marina ficou curiosa. — Se é da senhorita Monteiro, com certeza é coisa boa!
— É o meu novo acordo de divórcio para o José.
Dona Marina piscou. Realmente, era coisa muito boa!
Enquanto lia atentamente os termos do divórcio, Vânia deu uma ordem à empregada:
— Pegue a câmera do quarto e coloque em um lugar mais visível, mas não force demais. Quero que alguém a encontre, mas não pode parecer fácil demais.
Dona Marina arregalou os olhos por um segundo, mas logo entendeu a jogada.
Missão dada, missão cumprida!
Após deixar tudo preparado, Vânia e Dona Marina saíram de propósito.
Só voltaram para Alto Verde no fim da tarde, esbanjando tranquilidade.
Na sala de estar, Camila Lacerda estava de braços dados com Dona Domingos, sentada no centro do sofá, como se fosse a verdadeira senhora da família Domingos, a legítima nora de Jade Lobato.
José Domingos estava em uma poltrona separada. Ao ver Vânia entrar, ele franziu a testa, com uma expressão complexa.
Vânia manteve o rosto inexpressivo e não cumprimentou ninguém.
A "cegueira" trouxe muita praticidade para sua vida. Ela podia simplesmente ignorar aqueles demônios sem o menor peso na consciência.
— Garota mal-educada. Não sabe cumprimentar os mais velhos? — Jade Lobato atirou a primeira pedra, já irritada ao vê-la.
Camila Lacerda logo tentou bancar a apaziguadora, mas seus olhos transbordavam deboche. — Tia, você esqueceu? A Vânia é cega, como ela ia ver que você está aqui?

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