Eles ainda eram marido e mulher, ficavam no mesmo quarto e dormiam na mesma cama. Era tudo normal.
Mas apenas de pensar em Vânia junto com aquele traste, seu coração se contraía de dor. O ar frio que entrava nos seus pulmões tornava-se pontas de gelo que perfuravam e machucavam seu corpo por dentro, sem parar.
Ele tinha sentimentos por ela. Ele a amava muito.
Agora a pouco, quando ela perguntou como poderia retribuir, ele quase soltou as palavras:
"Desejo que você seja saudável a cada ano, e que a gente se encontre a cada dia."
Mas, no fim, ele engoliu as palavras e se afogou na amargura.
Ele sabia que eles falavam com frequência, e ela confiava tanto nele que até dependia dele. E isso acontecia porque ele nunca a pressionava ou usava as coisas para receber algo em troca. Eles sempre mantiveram uma relação de amigos.
Era porque ele se importava demais que ele olhava para o futuro com cautela, temendo os ganhos e as perdas.
Tinha medo de que, se desse mais um passo à frente, ela sentisse um fardo. Tinha medo de que, quando precisasse, ela tentasse resolver tudo sozinha e não pedisse ajuda a ele...
— Irmão mais velho. — Uma voz clara soou atrás dele.
Sandro virou-se de repente. Vagner estava de pé a poucos passos de distância.
— Vagner? Quando você entrou? Como eu não ouvi nada?
— Como não? Eu bati na porta.
Sandro não notou.
— Irmão mais velho, o que houve?
Os olhos afiados de Vagner se estreitaram.
— Perdeu o amor, ou perdeu a cabeça? Parece tão pra baixo.
Sandro tossiu constrangido e logo mudou de assunto:

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