Porém, as pontas de seus dedos tremiam incontrolavelmente.
Vânia apertou os lábios finos, sem entender por que ele perguntava sobre a origem da cicatriz àquela altura, mas ainda assim respondeu com docilidade, sem dizer a verdade:
— Na prisão. Eu me queimei sem querer.
A voz do homem soou rouca. — A prisão nem tem água quente, como você poderia ter queimado as costas?
Ela foi teimosa e não cedeu. — Nada é impossível, tudo pode acontecer.
O rosto de João, já normalmente frio, agora parecia coberto por uma camada de gelo.
Ele não entendia por que havia perguntado sobre isso, qual era o sentido? Se nem ela mesma, a envolvida, se importava e havia decidido esquecer, por que ele iria se intrometer?
— Diretor Freitas, se não tem mais nada urgente, eu posso ir embora? — Vânia ainda estava de costas, e perguntou em voz baixa.
Ela não queria responder com a verdade porque não ousava lembrar daquela cena. Toda vez que se recordava, sentia uma dor aguda no peito.
Ela usou a própria vida para proteger Nádia.
Mas Nádia acabou, no fim das contas, a deixando.
João estava prestes a falar quando a voz de Talita Queroz surgiu:
— João? João? Você está por aqui?
A voz estava muito próxima, quase na porta da sala de descanso!
O coração de Vânia disparou de susto. Quando fez menção de levantar e fugir, os braços compridos do homem rodearam sua cintura fina, puxando-a com força para os braços dele.
Ele ficou louco!
Talita estava prestes a encontrá-los ali, ele tinha enlouquecido!
— Me solte. — A voz dela estava trêmula.
João, por outro lado, estava perfeitamente tranquilo, e o calor da sua respiração tocou a orelha avermelhada de tensão dela. — Você quer sair agora e cumprimentar minha noiva cara a cara?
— Ou você prefere que ela nos veja assim?

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