O vento e a neve rugiram entre os dois homens.
Mas João sentia o silêncio reinar. Das sobrancelhas franzidas à mandíbula forte e fria, tudo carregava uma energia cruel.
Ivan e Cesar não queriam se intrometer. Com medo, não disseram uma palavra.
A atmosfera em torno daqueles velhos amigos agora estava tensa. Como rivais disputando o amor, brigando como se houvesse alguma competição masculina entre os dois.
— Tsc.
A mão grande e com as veias saltadas de João guardou-se no bolso de sua calça social. Ele ergueu a cabeça e sorriu. Uma névoa branca apagou a visão de seu rosto bonito e cruel: — Parece que o diretor Dourado já fez a sua escolha e quer ficar do lado dela, contra mim.
— Não chamaria de resistência, eu só quero protegê-la. — O olhar de Sandro era profundo, e as suas palavras eram poderosas.
Os lábios finos do homem formaram um sorriso frio: — Você não pode protegê-la.
Sandro apertou os punhos: — João, tantos anos de amizade... você precisa mesmo chegar nesse ponto?
— Não foi você quem não ligou para os sentimentos de irmãos primeiro, diretor Dourado?
O sorriso sumiu dos olhos estreitos de João, e suas pupilas negras pareciam um abismo sem fundo, como se quisessem engolir tudo. — Ninguém pode se intrometer entre mim e a Vânia.
Ninguém pode se aproximar desta mulher, apenas eu.
Os olhos de Sandro ficaram vermelhos de repente. Ele trincou os dentes: — Diretor Freitas, isso é muita prepotência da sua parte, além de você não ter o direito de fazer isso.
— Tenho o direito porque ela matou a irmã que eu mais amava. Ela destruiu a única luz da minha vida.
João virou-se friamente: — E afinal, nos conhecemos ontem? Eu sempre fui muito prepotente.
Ao dizer aquilo, o homem caminhou rápido até o cemitério.
O rosto bonito de Sandro afundou e ele pensou em ir atrás dele.

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