Vânia e Sandro ficaram surpresos.
No andar de cima, ouviu-se o grito de dor de Helena, que partia o coração, se perdendo na noite fria.
— Mande-a para o hospital.
Com medo de que Vânia ficasse assustada, a palma larga e quente de Sandro agarrou os ombros finos dela, e a sua voz soou fria e sem calor: — Se a criança não sobreviver, que a vida dela seja salva.
— Sim, diretor Dourado!
Vânia abaixou os olhos. Seu coração estava triste com um gosto que não conseguia descrever.
Claro que odiava Helena.
Mas também não conseguia rir da desgraça alheia e dizer que a criança em sua barriga merecia morrer.
Vânia foi escoltada por Sandro até o interior quente do Rolls-Royce. Assim que entrou no carro, Cesar veio correndo e sussurrou em seu ouvido:
— Diretor Dourado, o nosso pessoal disse que o pessoal do diretor Freitas está procurando o paradeiro da Srta. Viana por todos os lados agora. Veja bem...
Assim que terminou de falar, o telefone de Sandro vibrou em seu peito.
Ele pegou o telefone. As palavras "João" na tela ofuscavam os olhos de forma estranha.
Sandro franziu as sobrancelhas e guardou o celular, com o rosto tranquilo:
— Entendido, vá fazer as suas coisas. Não ligue para isso.
O homem entrou no carro. Vânia encostava a cabeça no vidro, com os olhos abaixados. Seu rosto era da cor de porcelana branca, sem nenhuma cor, e sua respiração estava fraca e leve.
A dor de uma agulhada brotou em seu coração.
Ele nunca tinha sentido algo assim.
Mesmo quando soube da morte de Beatriz, não sentiu aquilo. Naquela época, sentiu choque e dor. Mas o que Vânia trazia para ele parecia mais empatia. Seu batimento cardíaco e seu sangue estavam em forte sintonia com ela.
Ele sentia muita pena dela...

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