Helena encolheu-se no canto da parede, abraçando os joelhos e tremendo:
— Eu... eu não sei... eu realmente não sei de nada...
— Você não sabe?
Os olhos de Vânia estavam vermelhos. Sua garganta tinha um gosto doce e metálico de ferrugem. — Você pegou o dinheiro do secretário da Dona Domingos, Januário Vilela. Ele subornou você para ter más intenções na prisão e esperar a chance de se aproximar de mim... E ainda diz que não sabe?
Cada palavra afiada era a acusação de uma mãe com o coração partido.
Sabendo de tudo, Helena encarou a mulher à sua frente com pavor. Ela cobriu a barriga com força e seus lábios rachados se moveram, mas continuou teimando:
— Realmente... não sei de nada...
Como ela ousaria dizer? Ela não tinha coragem!
Aquele homem, apoiado pelo Grupo Domingos, podia matá-la muito facilmente.
Mesmo que tivesse muito dinheiro, precisava estar viva para gastar.
Tinha medo de dizer a verdade e ofender os figurões por trás daquilo. Não teria nem a chance de ver o próprio filho nascer. Muito possivelmente morreriam as duas!
— Você não queria dinheiro? Quanto você quer, eu dou. Três vezes... quatro vezes! Dez vezes!
Vânia avançou na direção de Helena. Seu peito subia e descia cheio de ódio. Ela se curvou e agarrou o pijama sujo da mulher, puxando-a do chão. — Me diga... como a Nádia morreu... Fale! Fale!!
Sua voz falhou. No último som, já era um choro despedaçado.
A dor reprimida de perder a filha, torturando-a dia e noite como fogo. Uma faca cega dissecando seu coração e cortando sua carne a cada segundo.
Vendo que as emoções de Vânia estavam no ponto de ruptura.
No entanto, Helena parecia uma boneca de barro, deixando-a desabafar, mas apenas repetindo a mesma frase de forma mecânica:
— Eu realmente... não sei...
De repente, Helena arregalou os olhos assustada e gritou: — Cuidado atrás de você!!

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