Vânia Viana respirou fundo.
— Srta. Viana, consegue me reconhecer? — Henrique Freitas estava com as duas mãos nos bolsos e inclinou o corpo para observar o rosto requintado e belo dela, passando seu olhar de forma pervertida para baixo.
Do pescoço branco, impecável e de linhas suaves que reluzia, até a cintura deslumbrante que incitava a imaginação, moldada sob o vestido preto longo.
Henrique Freitas passou a ponta da língua sobre o lábio superior; na frente de uma cega, ele estava com muita preguiça para esconder o desejo sedento.
— O senhor acha que eu consigo te reconhecer?
Vânia olhou o homem com um ar distante.
— Meu senhor, não acha que as suas exigências para uma pessoa cega estão um pouco altas?
— Cof, cof... Deixe-me me apresentar. Meu nome é Henrique Freitas...
— Se você é da família Freitas, deve estar muito ciente do meu histórico com ela.
A voz de Vânia era fria.
— Se não quer criar problemas, fique longe de mim, por favor.
Após terminar de falar, ela bateu a bengala no chão. Quando se preparou para desviar dele e seguir em frente, o homem se apressou e a interceptou sorrindo:
Henrique passou a mão nos cabelos banhados em laquê e que nem um furacão conseguiria desmanchar, com uma expressão total de desdém.
— Srta. Viana, você sabe quem eu sou? Sou o primogênito do terceiro ramo da família Freitas, o neto mais jovem da família Freitas. Meus avós me amam profundamente. Quem se atreveria a causar problemas comigo?
Vânia sorriu friamente com os lábios vermelhos.
— Ah, o netinho da terceira ramificação, o lendário filhinho de papai?
— ... — Henrique rangeu os dentes e corou levemente de raiva.
Quando ele ia se divertir com mulheres, até aquelas celebridades que pareciam deslumbrantes aos olhos do público precisavam se ajoelhar obediententemente e deixá-lo lambê-las limpas.

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