Na noite fria, os flocos de neve que caíam espalhados no ar tornavam a propriedade anexa da família Ribeiro ainda mais gélida e solitária.
Na imensa Capela dos Antepassados, havia apenas duas lanternas amareladas emitindo uma luz fraca. No chão de mármore preto, repousava apenas um fino e velho tapete de oração.
Viviane Viana abaixou os cílios longos e úmidos. O corpo tremia de frio enquanto ela esfregava as mãos e soprava o hálito quente nas palmas.
De repente, ela se lembrou de quando era pequena, sofrendo com Vânia naquele orfanato parecido com um covil de demônios.
Naquela época, Vânia estava em fase de crescimento, e era oprimida e maltratada pelos adultos do local. Sempre passava fome, a ponto de não conseguir dormir à noite.
— Irmã, estou com tanta fome...
— Espere, a irmã vai procurar comida para você!
Ela costumava aproveitar a calada da noite para se esgueirar até a cozinha em busca de comida. Pãozinho frio torcido, carne seca dura... qualquer coisa que desse para comer, ela roubava e dava para a irmãzinha.
Até que um dia, as duas foram flagradas pelos adultos da patrulha e jogadas juntas no porão úmido e frio como castigo. De vez em quando um rato passava correndo, fazendo com que se abraçassem aterrorizadas.
Viviane lembrava que a irmãzinha esfregava as próprias mãos até esquentar e as cobria com as suas, ou simplesmente colocava as mãos dela por dentro de sua roupa, usando o calor de seu corpo pequeno para ajudá-la a afastar o frio.
Naquele tempo, vivendo uma miséria tão grande, elas ainda conseguiam rir despreocupadas.
Viviane Viana olhou para as próprias mãos, que estavam quase rígidas de frio, e uma vermelhidão cobriu o fundo de seus olhos.
Desde que se casou com Isaque, fazia muito, muito tempo que não ria de verdade.
De repente, um rangido na grande porta atrás dela indicou que estava sendo aberta...

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