Tiago chamou primeiro de "vovô" e depois de "titio".
A criança era esperta, sabia exatamente quem, naquela família complexa, a mimava e cedia aos seus caprichos.
Isaque Ribeiro caminhou rapidamente com passadas largas até o sobrinho órfão e a cunhada viúva, seu olhar fixo em Serena:
— O Titi estava ótimo durante o dia, como ficou assim de repente?
Lágrimas pendiam dos cílios trêmulos de Serena, que não parava de soluçar.
— Eu não sei... Isaque, estou com tanto medo. Ver o Titi assim está quebrando meu coração!
— Estou aqui, não entre em pânico, o Titi ficará bem. — Isaque sentou-se ao lado dos dois e acariciou a bochecha do menino com sua mão grande, lançando um olhar amoroso e maternal.
A atmosfera entre os três não se distinguia em nada de uma família de três pessoas.
— Titio... Uwaaa! — Tiago, em lágrimas, jogou-se nos braços de Isaque.
O homem o colocou em seu colo. Ao ver os arranhões espalhados pela pele tenra do menino, seu olhar se sombriu.
— Lembro que o Titi teve algo parecido há mais de um ano. Na época, os exames apontaram para uma alergia a nozes. Felizmente, descobrimos a tempo; se tivéssemos demorado um pouco mais, ele poderia até ter asfixiado.
Todos se entreolharam:
— Alergia?!
Uma alergia alimentar era algo grave. Nos piores casos, podia até ser fatal!
A cor esvaiu-se do rosto de Serena:
— Como... Como isso pôde acontecer?
Caio Ribeiro pareceu perplexo:
— O Titi fez as três refeições em casa, ter uma alergia inexplicável? Muito estranho.

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