Vânia Viana tensionou todos os músculos do corpo, do rosto até a ponta dos dedos dos pés, com o coração batendo tão descompassado que parecia prestes a explodir no peito.
A voz fria e profunda do homem era penetrante demais. Ela abaixou o volume do celular ao mínimo, mas, na escuridão espessa da noite, ainda soava incrivelmente nítida.
Era como se a pessoa deitada atrás dela, a abraçando, não fosse José Domingos.
E sim, João Freitas.
Atrás dela, a respiração de José estava suave; ele dormia profundamente.
Vânia afastou o braço do marido de sua cintura, rolou para fora da cama e saiu rapidamente do quarto, fechando bem a porta.
Era como se ela é que fosse a infiel recebendo a ligação do amante no meio da noite.
— Diretor Freitas, o que você quer? — Vânia sussurrou com a voz espremida, a testa lisa coberta por uma fina camada de suor.
— Um teste de obediência. — A garganta de João emitiu uma risada baixa e zombeteira, com um toque de maldade. — Ainda não saiu, ou terei que fazer uma visita pessoalmente, Sra. Domingos?
— Precisa mesmo chegar a esse ponto? — Os punhos cerrados de Vânia tremiam levemente.
— É só sair para nos vermos, estou pedindo demais? — A voz de João não tinha mais nenhum traço de humor. — Isso não é nem a milionésima parte dos pecados que você cometeu. Venha logo, minha paciência é limitada.
Vânia escolheu uma jaqueta preta de plumas e, enrolada nela, saiu sorrateiramente do quarto como uma ladra.
Felizmente, no meio da madrugada, todos no Alto Verde já estavam dormindo. Ela usou sua bengala para abrir o portão da mansão e caminhou com os ombros encolhidos para o vento gelado da noite de inverno.
Do outro lado da rua, um Bugatti La Voiture Noire estava estacionado silenciosamente.
Embora a área onde a mansão da família Domingos ficava fosse um famoso bairro de ricos, ninguém deixaria seu carro esportivo multimilionário na porta da casa de outra pessoa no meio da noite sem motivo.
E, julgando por aquela placa chamativa com números repetidos, só poderia ser João Freitas.
Porém, Vânia só pôde fingir não ver. Com a palma da mão que segurava o celular suando, perguntou suavemente:
— Diretor Freitas, onde você está?

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