O corpo de José Domingos congelou bruscamente, como se houvesse um ventilador zumbindo em seus ouvidos.
Os cílios de Vânia Viana tremeram, ela virou o rosto e com as mãos trêmulas puxou as roupas para se cobrir:
— José, você acha que por eu ter ido para a prisão e estar cheia de manchas eu não sou mais limpa, e é por isso que se atreve a me humilhar e assediar com tanta audácia...
— Vânia, eu não...
— Eu te deixei por três anos e nunca esperei que você guardasse o seu corpo para mim. Você é o novo queridinho do mundo dos negócios, um jovem talento. Mulheres que querem se aproximar de você e subir na sua cama não faltam.
— Eu não...
— Você pode procurar mulheres, eu nunca te impedi, e eu entendo que, como um homem normal, você precise resolver suas necessidades fisiológicas.
Vânia respirou fundo, seu peito arfando violentamente.
— Só que eu nunca esperei... que a sua amante fosse a Camila. De tantas mulheres que você poderia se envolver, foi se meter justo com ela, sabendo muito bem que ela era minha melhor amiga!
Na verdade, ela não queria colocar as cartas na mesa com José tão cedo.
Mas aquele canalha a levou a um limite, forçando-a a desviar a contradição e usar de condenação moral para impedi-lo de tocá-la.
O fato era que ela já não se importava com aquele casal de devassos; que morressem amarrados um no outro para o resto da vida, isso sim.
— Vânia! Eu juro por Deus que não tenho absolutamente nada com Camila Lacerda!
José, nervoso, engoliu em seco e ergueu três dedos.
— Se houver meia palavra de mentira do que eu digo, que eu saia na rua, seja atropelado e não deixe descendentes!
Deus, o Senhor ouviu?
Chegou a hora de agir.
— A Camila me ligou pessoalmente na noite em que você foi ao jantar da família Lacerda e me contou da própria boca. Como poderia ser mentira?

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