Vânia Viana parou, mas não se virou.
A garota de Chanel deu alguns passos para trás, parou na frente dela, inclinou-se levemente e a mediu de cima a baixo.
— Com licença, estava falando comigo? — Vânia Viana perguntou num tom neutro, com o olhar vago focado no horizonte.
— Ah, agora entendi por que a sua cara me era tão familiar.
A garota cruzou os braços e repuxou os lábios com nojo profundo.
— Então é você, a assassina.
Vânia Viana sentiu como se um balde de gelo tivesse sido virado na sua cabeça. O frio se espalhou pelo corpo inteiro, perfurando seus ossos.
A mulher aumentou o tom de voz de propósito, querendo que todos os clientes que passavam pelo corredor escutassem o show.
E funcionou.
As pessoas começaram a olhar torto para Vânia Viana, cochichando entre si e se afastando com repulsa.
— E quem é você? — Vânia Viana encarou o rosto empinado da garota com frieza.
Ela forçou a memória, mas não conseguiu achar nenhum registro daquela pessoa.
— Não interessa quem eu sou. O que importa é que eu sei muito bem quem você é.
A garota de Chanel colocou as mãos para trás e começou a rodear Vânia Viana a passos lentos, com um olhar sádico e insuportável.
— Naquela época, nas lives do Instagram e do TikTok, a porta do tribunal estava entupida de gente xingando e desejando a sua morte. Você virou a celebridade número um de Alvorada Central, hein?
— Mas espera aí, eu lembro que você tinha pego quatro anos de prisão! Por que te soltaram tão rápido? O que tem de errado com as leis desse país que deixam uma assassina andar livremente por aí? Isso é um absurdo.
Foi então que ela bateu os olhos na bengala nas mãos de Vânia Viana e caiu na gargalhada, soltando um som estridente.
— Hahaha... Você ficou cega? Você virou uma cegueta? O carma realmente não falha!
— A justiça dos homens pode ter passado a mão na sua cabeça, mas a de Deus não! Uma pessoa suja de pecado como você merecia mesmo virar uma inválida inútil. E ainda é pouco! Quem tira uma vida deveria pagar com a própria!
No mundo, existem pessoas exatamente assim.
Usam o pretexto da justiça para cometer crueldades.
Fingem estar num pedestal de superioridade moral, mas usam isso apenas como um pano para cobrir seus próprios desejos podres e maldosos.
— Primeiro, eu não sou uma assassina. Segundo, saia da frente. Você está bloqueando o meu caminho.

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