Sandro Dourado relaxou a testa e, com a mesma elegância e calma de sempre, sorriu.
— Estou ótimo.
— Ouvi um estrondo enorme vindo daqui agora pouco. Aconteceu alguma coisa?
Sandro Dourado manteve a expressão serena.
— Não foi nada. Apenas esbarrei em algo sem querer.
— Que bom.
Os lábios finos de João Freitas se ergueram levemente.
— Hoje à noite vou pagar um jantar para o Prof. Neto. Apareça por lá também.
Uma sombra de hesitação surgiu no belo rosto de Sandro Dourado.
— Hoje à noite não vai dar. Tenho um compromisso.
O homem deu um meio sorriso cínico.
— Vai atrás do seu "probleminha"?
— João, você está ficando velho? Desde quando gosta de se meter tanto na vida alheia?
Sandro Dourado continuou sorrindo de forma impecável, sem deixar brechas.
— Não vou atrás dela. Como diz o ditado, a distância faz o coração bater mais forte.
— Se nos virmos todos os dias, a novidade perde a graça, não é verdade?
Os olhos estreitos e penetrantes de João Freitas esconderam um brilho sombrio.
— Pelo visto, você realmente se importa com essa garota, Sandro.
— No começo de tudo, é natural se dedicar um pouco mais.
Sandro Dourado olhou para o relógio no pulso com uma expressão de desculpas.
— Tenho que resolver umas coisas do meu grupo, então já vou indo.
— Prometo que outro dia convido o Prof. Neto formalmente para me redimir com o velho.
— Tudo bem. Bom trabalho.
Sandro Dourado deu passos largos e saiu às pressas do departamento de pesquisa e desenvolvimento.
Com o olhar escuro, João Freitas deu meia-volta e retornou para o lado do Prof. Neto.

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