Vânia Viana colou as costas na parede. Um alarme ensurdecedor disparou na sua mente.
— Quando... você descobriu?
— Você se lembra do policial Dourado? O Sérgio Dourado, que por acaso salvou você e a sua amiga de uma confusão há umas semanas?
Sandro Dourado curvou levemente os lábios num sorriso contido.
— Ele é meu irmão mais novo. Quando chegou em casa, ele se lembrou de você e me contou sobre o encontro daquele dia.
Vânia Viana arregalou os olhos. Em seguida, soltou uma risada exausta.
Não era à toa que aquele capitão Dourado lhe parecia tão familiar na primeira vez que o vira.
Alvorada Central era pequena demais.
— Caralho... tamo ferradas. — A visão de Estrela Monteiro chegou a escurecer.
Quem poderia imaginar que aquele policial fortão e habilidoso era o irmão de sangue do presidente do Grupo Dourado, Sandro Dourado!
Aquele diretor Dourado era mais astuto do que parecia!
— Antes de sair da prisão, eu já havia recuperado a visão.
Vânia Viana baixou o olhar, apertando os dedos com força contra a parede gélida.
— Pelo visto, guardar um segredo é mesmo quase impossível.
Sandro Dourado a observou profundamente. Uma mistura complexa de sentimentos revolveu dentro do seu peito.
Mesmo sabendo que a mulher à sua frente fora a causadora indireta da morte da preciosa Beatriz, e mesmo sabendo que a sua compaixão era cruzar o limite imposto por João Freitas...
Ele ainda não conseguia conter a empatia. Surpreendia-se, inclusive, sentindo-se irremediavelmente atraído pela tristeza sutil que pairava no olhar dela e pelos seus mistérios obscuros.
— O fato de que eu não sou cega... você vai contar para o João Freitas? — Vânia Viana tremeu levemente, os belos olhos ainda avermelhados, deixando claro o pânico residual.
— Deixemos isso de lado por agora.
Sandro Dourado tirou o seu paletó e colocou sobre os ombros trêmulos de Vânia Viana, ajustando o tecido em volta dela.
— O que a Srta. Viana quer que eu faça com aquele homem?
Ao ver como o diretor Dourado tratava sua melhor amiga com tanta delicadeza, Estrela Monteiro abriu um sorriso largo que ia de orelha a orelha.
Aquele tempo na prisão, pelo jeito, tinha destrancado a sorte de Vânia no amor. Agora ela só atraía deuses do Olimpo! Deus até fechou uma porta para ela, mas deixou um painel de janelas inteiro escancarado.

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