Incapaz de suportar o peso de seus próprios pecados, Fábio desabou em um pranto convulsivo. — Kenji, me perdoa. Eu não sou um homem bom e, muito menos, um pai decente. Você tem todo o direito de sentir raiva de mim, de me odiar. A culpa de tudo isso é minha.
Fábio nunca, em toda a sua vida, sentira um arrependimento tão visceral.
— A partir de hoje, o Tio Ravello será o seu pai. Ele vai cuidar de você de um jeito que eu jamais fui capaz. Pode me odiar, pode sentir raiva, mas o melhor que você pode fazer é esquecer que eu existo.
Dizendo isso, Fábio se levantou de forma atabalhoada e deu as costas, afastando-se apressadamente.
Ao ver a silhueta do pai correndo para longe, a represa de Kenji cedeu, e as lágrimas finalmente rolaram quentes por seu rosto.
Ele abaixou a cabeça, os ombros tremendo enquanto murmurava para si mesmo: — Eu nunca vou te odiar... porque você é o meu pai.
Poucos instantes depois, Davis aproximou-se, deslizando suavemente com sua cadeira de rodas.
Ele e Ada haviam testemunhado toda a cena de longe.
Uma pessoa que se recusa a crescer jamais alcançará a maturidade.
Fábio sempre fora assim: um adulto preso na própria imaturidade, um covarde que preferia inventar rotas de fuga a encarar o peso de suas próprias decisões.
No fundo, a alma dele ainda era a de um garotinho mimado. Kenji, com pouca idade, demonstrava ter muito mais fibra moral do que ele.
Mesmo no momento do adeus, Fábio foi incapaz de se colocar no lugar do filho.
Quando Davis parou a cadeira ao lado de Kenji, não disse nada de imediato.
Ele apenas observou o menino pegar o cubo mágico e voltar a manipulá-lo de cabeça baixa, fingindo que seu mundo não havia acabado de desmoronar.
Embora Davis já tivesse conversado sobre a verdade com Kenji antes, o menino ainda era uma criança, incapaz de compreender totalmente o labirinto sombrio que era o egoísmo humano.
— Kenji — começou Davis, a voz macia como veludo —, deixe-me te contar uma história sobre mim. Eu também sou alguém que chegou a este mundo carregando uma maldição. A minha verdadeira mãe biológica era, para todos os efeitos, a minha irmã mais velha...
Davis falou por um longo tempo.
Vitória Prado ouviu com profunda atenção.
Ada apareceu algumas vezes durante a conversa, mas optou por não interromper a conexão que se formava entre eles.
— Seu pai pediu para te entregar isso. O número dele está salvo aqui. Sempre que sentir saudade, você pode ligar para ele.
Kenji ergueu a mãozinha trêmula, pegou o aparelho e o apertou contra o peito, como se segurasse um tesouro frágil.
— O seu pai só não tem maturidade, Kenji, mas não significa que ele não te ame — concluiu Davis, o tom reconfortante. — Mas lembre-se de algo importante: você é muito mais sortudo do que eu. Porque você tem um exército de pessoas que te amam de verdade.
— Eu sei disso. Obrigado, Papai Davis.
Davis travou, as palavras sumindo de sua garganta. — Como você me chamou?
Kenji manteve a postura impecável. — Já que vamos morar todos juntos, eu sabia que ia acabar te chamando de pai mais cedo ou mais tarde. Então, resolvi começar agora.
Após declarar isso com a maior naturalidade do mundo, Kenji se levantou. — Papai Davis, vou para o meu quarto dormir. Não fique acordado até tarde. Boa noite.
O menino caminhou em direção ao interior da casa, tão sereno como se tivesse acabado de dar um simples recado rotineiro.
Davis, por outro lado, sentia o coração prestes a sair pela boca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Surpresa! O Bonitão que Eu Mantinha era O Príncipe Herdeiro!
Que livro maravilhoso, estou adorando e ansiosa por mais capitulos. Parabéns!...
Que livro maravilhoso....Obrigada equipe...
Quando vai atualizar?...