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Surpresa! O Bonitão que Eu Mantinha era O Príncipe Herdeiro! romance Capítulo 1103

Na sacada do segundo andar.

Fábio se aproximou de Kenji, que estava sentado em uma cadeira, brincando com um cubo mágico.

O rosto da criança era uma máscara impenetrável; não havia raiva, tristeza ou alegria, apenas a frieza de uma pequena máquina.

Fábio parou diante dele.

Ao encarar aquela expressão severa no rosto infantil, murmurou o nome do filho: — Kenji...

Foi apenas nesse momento que o menino ergueu a cabeça.

O olhar dele era gélido, carregado de um peso que nenhuma criança deveria carregar.

Fábio subitamente se deu conta do quanto Kenji havia mudado naquele último ano.

Não apenas na altura, mas a sua própria essência estava diferente.

Antes, ele era um garoto de opiniões fortes, que adorava bater o pé e estufar o peito para mostrar que tinha razão, agindo como se fosse um mini adulto.

Porém, essa postura só existia porque ele crescera cercado de mimos, sentindo-se invencível.

No fundo, ele sabia que era amado por todos ao seu redor.

Agora, tudo parecia ter desmoronado.

A aura dele estava mais sombria. Embora mantivesse aquele ar de retidão, algo estava quebrado por dentro.

Era a postura cautelosa de quem vive de favores, a hesitação constante de quem precisa ler o humor dos outros antes de falar.

E, naquele instante, ao olhar para Fábio, toda a frieza deu lugar a uma enxurrada de mágoa e teimosia.

— Você realmente vai me jogar fora?

O coração de Fábio pareceu ser perfurado por uma estaca.

— Não é isso, eu apenas...

Ele simplesmente não encontrava palavras para justificar sua covardia.

— Mas eu não sou um brinquedo. Eu sou uma pessoa! O que eu sou para você? Uma peça de tabuleiro criada sob medida para o seu plano sujo? Ou apenas o peso morto que você decidiu cortar da sua vida agora que resolveu brincar de arrependido?

— O que eu sou, pai? Aos seus olhos, eu sequer sou humano?

Os olhos de Kenji estavam vermelhos e inundados, mas ele travou a mandíbula, engolindo o choro à força.

Fábio estava devastado.

Era inconcebível que um ser tão pequeno pudesse fazer perguntas tão dilacerantes.

Eram questionamentos que uma criança jamais deveria precisar formular.

Desabando de joelhos, ele agarrou os ombros do filho com desespero. — Kenji, não é assim... juro por Deus que não é assim.

— Então como é?

Kenji sustentou o olhar, cravando os olhos cheios de teimosia no rosto do homem.

— Você é o meu filho. É a pessoa que eu mais amo no universo inteiro. Eu é que fui egoísta. Fui um crápula. Toda essa destruição é culpa minha, você não tem culpa de absolutamente nada.

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