Luana Ramos bateu na porta, no entanto, por mais que insistisse, não obteve qualquer resposta de quem estava lá dentro.
Luana ficou parada à porta. Ela encarava a madeira fechada. Lágrimas rolavam de seus olhos, contínuas e silenciosas.
O peito doía como se uma lâmina o rasgasse. O ferimento era profundo e extenso. A dor sufocante a impedia de respirar.
Muito tempo depois, ela finalmente se virou e desceu as escadas.
Assim que saiu do elevador, Zaqueu Lemos entrou. Ao se deparar com os olhos marejados da mulher, o rosto dele travou em choque:
— Srta. Luana, a senhora...?
Ver Zaqueu foi como encontrar um pedaço de madeira em pleno naufrágio. Ela não se importou em secar as lágrimas, tampouco com a própria dignidade. Agarrou a mão do assistente, a voz carregada de súplica:
— Zaqueu, por favor. Diga a Sebastião Mendes. Sílvio é meu filho. Ele não tem o direito de me proibir de ver o meu próprio filho.
O corpo de Zaqueu enrijeceu brutalmente. Seus olhos transbordaram espanto.
O coração dele tremia no peito.
Zaqueu clamou aos céus em silêncio. Então, Luana era a mãe do pequeno senhor. Ou seja... a ex-esposa de seu patrão.
Pensar na palavra "ex-esposa" o deixou tenso e atordoado.
Ele moveu os lábios, mas não conseguiu articular uma única sílaba por um longo tempo.
— Você sabe onde o Sílvio está? Eu imploro, me leve até ele.
Diante do nariz avermelhado e do olhar inundado de Luana, Zaqueu mal conseguia suportar a ideia de recusar. Mas ele não ousava contrariar as ordens!
— Srta. Luana, o pequeno senhor... ele...
Vendo o pânico absoluto consumindo Luana, Zaqueu suspirou intimamente:
— Eu também não sei onde ele está.
Zaqueu refletiu e concluiu que o melhor era obedecer à decisão de seu patrão.
O senhor era um bom homem. Zaqueu não sabia o que havia causado a separação dele e de Luana, mas, sendo apenas um assistente, não lhe cabia interferir em assuntos do coração.
Percebendo a hesitação nos olhos dele, Luana o pressionou com urgência:
— Então me diga, o Sílvio está doente? A criança que fez o transplante de medula no hospital há dois dias... era ele?
Zaqueu perdeu o chão. Não esperava que Luana soubesse de um detalhe tão sigiloso. A perplexidade tomou seu olhar, mas ele se recompôs no instante seguinte:
— Srta. Luana, não torne as coisas difíceis para mim. Sou apenas um assistente subordinado a ele.
Dizendo isso, ele desvencilhou-se das mãos dela e virou-se para dentro do elevador. Luana permaneceu estática lá dentro, sem dar um passo para fora. As portas metálicas se fecharam novamente.
O elevador subiu. Zaqueu lançou um último olhar para trás e saiu a passos largos.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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