Sebastião a encarou:
— Por que eu aceitaria?
Luana apertou os dedos contra a palma da mão:
— Não mandei para você. É para o Sílvio.
O quarto estava silencioso, exceto pelo canto ocasional de insetos do lado de fora.
Após um momento de quietude, Sebastião quebrou o silêncio:
— Você acha que dinheiro conserta alguma coisa?
Sem esperar resposta, ele continuou, implacável:
— Compensa a falta de amor materno de cinco anos?
— Isso serve apenas para aliviar a sua consciência. Por que eu aceitaria?
*Enquanto eu não aceitar esse dinheiro, você queimará no próprio inferno da culpa.*
Mas a realidade não era tão simples.
Luana conhecia Sebastião, sabia que aquelas palavras não refletiam toda a verdade. Ela não queria entrar em conflito:
— Você não aceita meu dinheiro por causa desse resto de orgulho e arrogância que ainda te sobra. Um homem como você, Sebastião, um antigo "filho do céu", não consegue se rebaixar para aceitar ajuda de uma mulher.
— É mesmo?
Sebastião repuxou os lábios em um sorriso perigoso. Ele lutava para suprimir a fúria, contendo o impulso visceral de esganá-la ali mesmo.
— Luana, não abuse da sorte.
Luana achou a ameaça quase risível e perguntou:
— Como estou abusando?
— Eu mandei o João te procurar. Eu liguei para você. Mas seu telefone estava sempre desligado. No momento em que eu e meu filho passávamos pela maior dificuldade, você estava ocupada sendo feliz com outro. Luana, no seu coração, houve sequer um milímetro de espaço para mim e para o nosso filho?
As palavras de Sebastião empurraram Luana para um abismo sem fundo.
O coração dela batia descompassado, um som surdo e doloroso.
O rosto de Luana ficou branco como papel:
— Você disse que me ligou? Que mandou o João me procurar?
Quando foi isso? Por que ela não sabia de nada?

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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