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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 399

Era a primeira vez que Luana se mostrava tão irredutível. Tudo por um único vislumbre de seu filho.

Zaqueu emudeceu.

Luana rejeitou a proteção do guarda-chuva. Ela saiu deliberadamente debaixo da copa da árvore, entregando-se à tempestade violenta. Seu olhar permaneceu fixo, cravado na direção do hotel.

Ela havia tentado subir para confrontar Sebastião antes. Embora não soubesse o andar exato, tinha a certeza de que não era um dos mais altos.

Zaqueu perdeu o chão diante daquela cena.

Ele lançou um olhar aflito para a mulher e abaixou-se para recolher o guarda-chuva do chão.

Uma vibração soou em seu bolso. O toque do celular foi quase engolido pelo rugido da água, mas ainda se fazia notar fracamente.

Com os dedos encharcados, Zaqueu deslizou a tela para atender. A voz gélida e autoritária de Sebastião ecoou no alto-falante:

— Zaqueu. Você não serve nem para entregar a porra de um guarda-chuva. Para que eu te pago?

A reprimenda carregada de opressão fez Zaqueu querer chorar convulsivamente. Ele respondeu, acuado:

— O senhor me perdoe... Mas a Srta. Luana está irredutível. Ela rejeitou a proteção. Disse que não vai arredar o pé daqui até que o senhor permita que ela veja o menino.

Assim que ele terminou a frase, a ligação foi encerrada de forma abrupta.

Zaqueu guardou o aparelho e correu de volta até Luana. Ele ergueu a lona escura sobre a cabeça dela, bloqueando a fúria da ventania e do temporal.

Luana não tentou afastá-lo dessa vez. Ela apenas abaixou as pálpebras exaustas. A água da chuva escorria pela sua testa, deslizava pela ponta do nariz e despencava do queixo, encharcando ainda mais as roupas que grudavam em seu corpo transparente de tão frágil.

Zaqueu observava a cena com a agonia corroendo seu peito:

— Srta. Luana, não faça isso consigo mesma. Se pegar uma pneumonia, será a única a sofrer as consequências. Qual o sentido dessa tortura?

Ele esgotou seus argumentos tentando convencê-la. Contudo, Luana não absorveu uma única sílaba.

Sua mente, seu peito e cada fragmento do seu vazio eram habitados apenas pelo rosto de Sílvio. Pela sombra de Sílvio.

Ela já havia decifrado tudo. Se Sebastião a proibia de ver o menino, era o sinal irrefutável de que algo trágico havia acontecido com ele.

Em circunstâncias normais, Sebastião jamais usaria de uma crueldade tão extrema para pressioná-la.

A garganta de Zaqueu já estava seca de tanto implorar, e suas opções haviam se esgotado.

De repente, um brilho de choque cortou o olhar do assistente. Ele exclamou, atônito:

— O senhor.

Ao ouvir o pronome de reverência, Luana virou o rosto. Seguindo a direção do olhar de Zaqueu, ela encontrou a silhueta imponente e sufocante parada a um metro de distância. Os dedos de ossos bem marcados seguravam com firmeza o cabo de um guarda-chuva negro. A água escorria pelas bordas do tecido e se chocava contra os sapatos dele, espirrando pequenas gotas pelo asfalto.

E sob o negrume do guarda-chuva, revelavam-se os traços implacáveis do rosto de Sebastião.

Ao vê-lo, os lábios dela se abriram em um tremor mudo. Um ardor insuportável queimou seus olhos. Lágrimas escaldantes se misturaram à chuva gélida, rasgando suas bochechas.

Capítulo 399 1

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