— Você realmente quer que eu cuide dela?
Os cílios baixos de Luana Ramos ocultavam o pânico e a amargura no fundo de seus olhos.
Ela lutou para dissipar a névoa em seu olhar, mantendo a voz o mais vazia possível, para não demonstrar nenhuma emoção:
— Eu já disse. Neste momento, não há nada mais importante do que Sílvio.
Ao ouvir isso, Sebastião Mendes sentiu um solavanco no peito.
Ele agarrou o braço de Luana, puxando-a para debaixo do beiral. Com uma mão, apertou o queixo dela, forçando-a a encará-lo. Luana viu os olhos avermelhados dele, e a agressividade estava prestes a explodir:
— Fale a verdade. Me diga, você realmente quer que eu vá cuidar de Dionísia Penha?
Luana ignorou a dor latejante em seu peito, engolindo a amargura na garganta. Seu coração já era apenas cinzas:
— E o que importa o que eu quero, Sebastião? A vida de Sílvio está nas mãos dela.
Sebastião imediatamente soltou a respiração que prendia, seus lábios finos curvando-se em um sorriso sombrio:
— Essa sua frase já é o suficiente. — "Não foi em vão que esperei por você por cinco anos", pensou ele.
De repente, Sebastião a soltou. Quando Luana achou que o homem a havia deixado em paz, ele a puxou pelo pulso em direção à van executiva preta estacionada na beira da rua.
Sebastião empurrou Luana para dentro do carro e, logo em seguida, entrou também.
Zaqueu Lemos rapidamente deu a partida, e o veículo se misturou ao tráfego.
Durante todo o trajeto, o olhar gélido de Sebastião era assustador. Sua mão direita apertava a de Luana com força possessiva, sem dizer uma única palavra.
Vendo a postura opressiva dele, Luana se manteve transparente, sem ousar abrir a boca.
O carro logo retornou ao Jardim de Sândalo.
Sebastião arrastou Luana para fora do veículo.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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