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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 396

Luana fixou os olhos em Sebastião.

Ao encontrar aquele olhar que agora parecia o de um completo estranho, o coração de Luana falhou uma batida, dolorido.

Foi apenas um vislumbre rápido; Sebastião desviou o olhar friamente, virou as costas e caminhou para dentro.

Luana o seguiu.

Do lado de fora, Zaqueu sentiu o coração subir à boca quando viu Luana bater à porta. Ele jurava que o Senhor explodiria de raiva, mas, para sua surpresa, ao ver Luana, o Senhor não apenas conteve a fúria, como pareceu consentir tacitamente com sua entrada.

Sentindo o coração voltar ao lugar, Zaqueu deu um leve empurrão em Luana para que entrasse e fechou a porta, retirando-se.

Ao entrar, Luana viu Sebastião acomodado no sofá, com o notebook sobre os joelhos. Seus dedos longos e elegantes dançavam sobre o teclado; era evidente que estava trabalhando.

Luana parou ao lado da cama, sem saber onde se colocar. Todas as perguntas que preenchiam sua mente travaram em sua garganta.

Sebastião a ignorou completamente, tratando-a como se fosse invisível.

Cerca de meia hora depois, ele finalmente terminou de processar os e-mails. Com um movimento brusco de sua mão grande, fechou o notebook e ergueu uma sobrancelha, o olhar gélido:

— Tem algo a tratar?

Luana o esperara o dia todo. A intenção original era falar de trabalho, mas agora, sua mente estava consumida por Sílvio.

A postura agressiva de antes se desfez. Diante daquele rosto impenetrável, Luana perdeu toda a força de combate e baixou o tom de voz:

— Ouvi dizer que o Sílvio está doente. Por isso, queria perguntar... Peço que releve minha impaciência de mais cedo, desculpe incomodar.

O olhar de Sebastião não pousou nela nem por um segundo. Ele pegou o pijama e entrou no banheiro. A porta encostou, e logo o som de água caindo preencheu o silêncio.

Luana não conseguiu mover um músculo. Ela virou a cabeça e, pelo ângulo, conseguia ver a silhueta do corpo masculino refletida no vidro fosco.

A água escorria pelos ombros largos, respingando no chão em uma névoa úmida.

Ela via claramente quando ele estendia o braço para pegar o sabonete, os movimentos de quem se lavava. Luana sabia que devia desviar o olhar, manter a decência, mas seus olhos pareciam ter vontade própria.

Havia tanto que ela queria perguntar a Sebastião.

Finalmente, o som da água cessou.

O homem saiu, com uma toalha enrolada precariamente na cintura. Gotas d'água escorriam pelo peitoral, descendo por um abdômen trincado, aquele tanquinho definido que ela conhecia bem. O olhar de Luana escorregou para as pernas longas e musculosas que caminhavam em sua direção, e um calor súbito a invadiu.

Umedecendo os lábios secos, ela se forçou a desviar o olhar.

Capítulo 396 1

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