Sílvio fez uma careta para ela:
— Eu não gosto de ser marionete de ninguém.
As palavras da criança carregavam um peso oculto, e Juliana percebeu imediatamente a insinuação.
Ignorando o desagrado de Juliana, Sílvio estendeu a mão e agarrou a de Luana. Seus cílios longos se ergueram, revelando pupilas escuras e brilhantes que encontraram o olhar dela:
— Luana, eu quero que você me leve ao aeroporto.
— Sílvio... — Juliana tentou intervir.
Mal ela abriu a boca, foi cortada bruscamente pela criança:
— A Luana é minha namorada. Eu estou indo embora, qual é o problema dela se despedir de mim?
Juliana virou-se para Sebastião, com um tom provocativo:
— Cunhado, você não tem mais nada a ver com ela. Se é para cortar laços, que seja definitivo.
O modo como Juliana repetia "cunhado" irritava profundamente Luana, como um ruído constante arranhando seus nervos.
Luana segurou a mão de Sílvio e o puxou para o seu abraço.
— Sílvio, você disse que é meu namorado. E se eu te pedisse para ficar? Você aceitaria?
A pergunta deixou Sílvio em um impasse.
Ficar ou não, não era uma decisão que cabia a ele.
Ele olhou para Sebastião. A expressão do homem era sombria, carregada de uma tempestade prestes a desabar. Sebastião aproximou-se e puxou Sílvio de volta, com uma brutalidade possessiva:
— Luana, o que você pretende com isso?
O tom de Sebastião era gélido e hostil.
As veias em suas têmporas pulsavam, como se a fúria contida por tanto tempo estivesse prestes a explodir e reduzir tudo a cinzas.
Luana sorriu, um sorriso fraco e transparente. Olhou para Sebastião e, em seguida, pousou o olhar vazio em Juliana:
— Agora há pouco, você disse que eu teria outra pessoa. Mas, pelo visto, você também já tem a sua.
Sabendo que Luana havia entendido mal sua relação com Juliana, Sebastião não se deu ao trabalho de explicar. O fogo da raiva queimava em seu peito, consumindo a razão:



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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