Luana tentou argumentar, a voz trêmula:
— Sebastião, nessa situação... não será conveniente para você ficar com ele.
Sebastião soltou um riso sarcástico:
— Luana, por que não diz logo? Eu não tenho mais nada. Não posso dar a ele uma vida de luxo.
Luana baixou os olhos, os lábios brancos. O sorriso de Sebastião tornou-se mais cruel:
— Mesmo que eu não possa dar luxo, ainda é melhor do que deixá-lo vivendo com você e seus futuros amantes.
Era uma verdade brutal. Luana não ficaria solteira para sempre.
— Não importa. Sílvio foi meu primeiro filho. Eu cuidarei bem dele.
Ao ouvir isso, os olhos de Sebastião foram tomados por uma tempestade sombria. Sua voz baixou, ameaçadora:
— Luana, vá viver sua vida de rica. Quanto a mim e ao Sílvio, mesmo que tenhamos que pedir esmola, isso não é mais da sua conta.
*Toc, toc, toc.*
Luana ergueu a cabeça. Uma mulher estava parada na porta. Ela olhou para Luana, depois para o quarto, e ao ver Sebastião, sua voz soou doce e íntima:
— Sebastião, o caminhão de mudança chegou. Já terminou?
Sem esperar resposta, Juliana entrou. Olhou para o quarto organizado com um ar de propriedade:
— Deixa que eu te ajudo.
Começou a dobrar as roupas dele, ignorando completamente a presença de Luana.
Luana observou a cena, sentindo um gosto metálico na boca. Sorriu, um sorriso quebrado, e virou as costas para sair.
Sebastião nem olhou para ela, continuando a arrumar as malas com Juliana.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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