Sebastião não era filho biológico de Camila, mas Luana via que o amor dela era genuíno. Talvez ela o tivesse adotado no coração para substituir o filho que perdeu.
O choro de Camila apertava o coração de Luana como uma morsa.
— Luana! — Sílvio entrou correndo.
— Luana, salva meu pai, por favor. Lá dentro é horrível.
Sílvio implorava pelo pai. Não importava quão cruel Sebastião fosse, ele ainda era o pai dele. Diante daqueles grandes olhos negros marejados, Luana finalmente assentiu.
***
Luana finalmente ficou frente a frente com Sebastião.
O terno dele estava amassado, os cabelos desalinhados, e os olhos injetados de sangue. Ao vê-la, ele apenas apertou os lábios, sem dizer uma palavra. Encostou-se na parede fria e acendeu um cigarro.
Após soltar a fumaça, sua voz soou rouca e distante:
— O que você veio fazer aqui?
Luana o observou por um momento antes de responder:
— Dona Camila me pediu para vir. E o Sílvio. Eles querem que você saia dessa.
Ele tragou novamente, as bochechas encovando, a expressão impenetrável. Apagou o cigarro e disse:
— Você já viu que estou vivo. Pode ir embora.
Quando ele se virou para voltar à cela, Luana o chamou:
— Sebastião.
Ele parou.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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