Stephen sussurrou para Luana:
— Os capangas da Eliana são muito fortes. Alguns ganharam prêmios nacionais de boxe.
— Quantos você estima que sejam?
Perguntou Luana.
Stephen respondeu:
— Geralmente, dois ficam colados nela. Os outros não são tão perigosos.
Ele esticou o pescoço, espiando o armazém.
— O Sebastião deve estar trancado lá dentro. Essa mulher tem um coração podre... é o irmão dela, o homem que ela diz amar, e ela tem coragem de mantê-lo preso num lugar úmido desses, ferido como está.
Eliana era, de fato, cruel e perversa.
Luana olhou para o relógio; cinco horas haviam se passado desde a cirurgia de Sebastião.
Ele fora ferido em órgãos vitais e agora estava jogado naquele ambiente insalubre.
Pouco antes, Luana ouvira o guarda mencionar um endereço ao telefone e chamar por um tal de "Dr. Dante".
Era óbvio: Eliana chamara um médico para tratar Sebastião clandestinamente.
Os olhos de Luana brilharam com uma ideia.
Ela sussurrou algo no ouvido de Stephen.
Stephen assentiu freneticamente.
Luana se moveu pelas sombras.
Sua previsão estava correta: assim que alcançou a estrada de terra, um carro se aproximou.
Luana viu o vulto de um jaleco branco no banco do passageiro.
Ela correu para o meio da estrada, bloqueando o caminho sem se importar com o risco.
O carro freou bruscamente.
Os faróis iluminaram o rosto de Luana, que estreitou os olhos e virou o rosto para evitar a cegueira momentânea.
O motorista desceu, pronto para expulsá-la.
Luana ignorou o motorista e caminhou direto para a janela do passageiro, batendo no vidro.
O vidro baixou, revelando um rosto masculino e elegante.
O homem aparentava ter uns vinte e sete anos; seus óculos de aros dourados refletiam a beleza desesperada de Luana.
Ele franziu a testa, como se perguntasse silenciosamente o que ela queria.
Luana curvou os lábios vermelhos num sorriso suplicante:
— O paciente que você vai atender hoje não é boa gente. Mas... eu preciso salvá-lo. Daqui a pouco, faça sua assistente...
Luana olhou para a enfermeira, que agora estava sentada ereta, o sono completamente dissipado e o rosto branco como papel.
— ...ficar no carro. Eu entrarei com você.
O homem de branco não disse nada, apenas a observava com seus olhos longos e sedutores.
— Fale alguma coisa.
Luana pressionou a lâmina um pouco mais.
Um fio de sangue vermelho brotou na pele pálida do pescoço dele.
O homem fechou os olhos por um segundo e seu pomo de adão oscilou.
— Bela dama, você está jogando um jogo perigoso.
Luana sabia que aquele homem não era comum, mas para salvar Sebastião, ela não tinha escolha.
— A pessoa que você veio ajudar é uma psicopata, lixo humano. Isso faz de você... cúmplice de um monstro.
Alguém que atendia ao chamado de Eliana naquela situação não podia ser boa pessoa.
Aos olhos de Luana, ele também estava podre.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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