— Guarde a faca. Eu vou jogar com você.
A voz do homem de branco era magnética e calma.
Luana tirou uma pílula da bolsa e forçou o homem a engoli-la.
Estendeu outra para a enfermeira, que a engoliu com as mãos trêmulas sob o olhar ameaçador de Luana.
Não tomar não era uma opção; suas vidas estavam em jogo.
— É um composto neurotóxico que eu mesma desenvolvi. Só eu tenho o antídoto. Não tentem gracinhas.
Luana aterrorizou a enfermeira, descrevendo os efeitos da toxina no cérebro.
A garota tremia sem parar.
Ela só viera acompanhar o mentor em uma consulta externa e jamais imaginou encontrar uma oponente tão perigosa.
A enfermeira pensou, arrependida, que jamais deveria ter vindo.
Enquanto ela se lamentava, ouviu a voz baixa e cortante de Luana:
— Tire a roupa.
A enfermeira olhou para o mentor, que mantinha uma expressão impenetrável, e começou a despir o jaleco.
Luana vestiu o branco, arrastou Gualter para fora do carro e sentou-se no banco do passageiro.
O carro disparou em direção ao armazém.
Ao estacionarem, as pessoas lá dentro saíram rapidamente.
Eliana liderava, seguida por dois homens enormes.
No frio de outubro, eles vestiam apenas camisetas regatas, exibindo músculos definidos e uma presença intimidadora.
— Dante, finalmente você chegou. Rápido.
Eliana agarrou o braço do homem de branco, guiando-o para dentro com intimidade.
Luana, carregando a maleta médica e de máscara, seguiu-os de perto.
Os dois brutamontes ficaram do lado de fora, vigiando.
Luana comemorou internamente.
Ela combinara com Stephen: assim que ela agisse lá dentro, ele atrairia a atenção dos guardas.
O interruptor estalou e o armazém foi inundado por uma luz branca e crua.
Luana viu imediatamente o homem deitado.
A cama improvisada era pequena demais para a estatura dele; metade do corpo de Sebastião pendia para fora.
O que chocou Luana foram os lábios dele, num tom arroxeado e ressecados a ponto de descascar.
Virou-se para Dante com um pedido de desculpas exagerado:
— Estou muito nervosa, Dante. Crescemos juntos, você sabe o que sinto por ele. Eu me importo demais.
Dante lançou um olhar rápido para Luana e disse:
— Eu sei. Mas trazê-lo para cá nessas condições... se algo acontecer, você vai se arrepender.
Eliana hesitou, os olhos marejados de lágrimas, a voz trêmula:
— Eu não tive escolha. Você sabe, ele nunca me deu atenção, nem queria me ver. Só assim ele pertence totalmente a mim.
Eliana tratava Dante como um confidente, despejando sua obsessão doentia por Sebastião sem filtros.
Dante soltou a mão de Eliana e levantou a camisa de Sebastião.
Sua testa franziu imediatamente:
— Eliana, os pontos romperam.
Eliana seguiu o olhar de Dante.
Ao ver o sangue fresco jorrando da ferida aberta, seu coração falhou.
Seus olhos se fixaram no vermelho vivo, e sua mente ficou em branco.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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