Stephen ponderou seriamente por um momento e, em seguida, negou com um movimento de cabeça.
— Eu não sei se ele sabe.
Luana ergueu o olhar, frio e penetrante.
— Se você não tivesse rompido com a Eliana, teria me contado tudo isso?
Um sorriso constrangido atravessou o rosto de Stephen.
— Não quero mentir para você. Claro que não.
Ele só procurou Luana porque Eliana decidira matá-lo.
O motivo de Eliana querer vê-lo morto era duplo.
Primeiro, queima de arquivo: com ele morto, as mortes de Fernanda e Vanessa ficariam sem testemunhas, perpetuando a crença de que Luana era a assassina, um caso que nem a polícia ousaria reabrir.
Segundo, Stephen era uma pedra no sapato de Eliana; sem ele, o caminho para ela ficar com Sebastião estaria livre.
Luana encarou as pupilas azuis de Stephen e disse, com um sorriso desprovido de calor:
— Eu gosto da sua franqueza. Se eu pedir para você ir comigo à polícia depor, você iria?
Stephen encolheu o pescoço, coçando o rosto em um gesto nervoso.
— É melhor você contar isso diretamente ao Sebastião. Se ele não tem interesse na Eliana, então é apenas uma obsessão unilateral dela. Por pior que o Sebastião seja, duvido que ele encubra essa irmã bastarda.
Luana mergulhou em pensamentos.
Ela recordou de muitas coisas, do emaranhado entre Sebastião e Vanessa.
Todo o passado passou por sua mente como um filme antigo e doloroso.
Ela fechou os olhos, os dedos entrelaçados tremendo levemente.
— O Sebastião ama a Vanessa. Se ele souber que foi a Eliana quem assassinou a mulher da vida dele, ele jamais a perdoará.
Stephen concordou com Luana.
— Exatamente.
Luana abriu os olhos, o olhar fixo no rosto de Stephen, sondando suas intenções.
— Por que você mesmo não vai contar ao Sebastião?
Por que usá-la como intermediária? Qual era o verdadeiro objetivo de Stephen?
— Sebastião não acreditaria em mim.
Stephen balançou a cabeça.
— Afinal, eles são irmãos, cresceram juntos.
— Ele também não vai acreditar em mim.
Luana soltou um riso curto, seco.
Stephen insistiu:
— Vocês foram casados, afinal.
Homem e mulher que dividiram a cama têm um vínculo diferente, pensou Stephen, mas não disse em voz alta.
Sebastião invadira o quarto dela naquele dia de mãos vazias, então ela não sabia onde estavam os pertences dele.
Ao sair do hotel com a bagagem, foi barrada por uma figura.
Luana ergueu os cílios e encarou a mulher impecável à sua frente.
— Algum problema?
Eliana curvou os lábios vermelhos, os olhos brilhando com malícia.
— Você acabou de se encontrar com o Stephen, não foi?
Luana fingiu limpar o ouvido, desinteressada.
— Quem? Do que você está falando?
Eliana estreitou os belos olhos, perigo faiscando em suas íris.
— Pare de fingir. Aquele maldito do Stephen forjou a própria morte para me enganar e enganar a polícia, fazendo com que eles fiquem na minha cola.
Lembrar das notícias explodindo nas redes sociais, apontando-a como a assassina do namorado, fazia o sangue de Eliana ferver.
Ultimamente, a polícia a vigiava de perto, obrigando-a a se esconder.
Ela fugira para a Irlanda buscando paz, mas seus informantes localizaram Stephen.
Saber que ele estava vivo a deixou furiosa.
Luana sabia que Eliana tinha uma rede de capangas, pagos com o dinheiro do Grupo Mendes, apenas para servi-la.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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