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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 282

Stephen ponderou seriamente por um momento e, em seguida, negou com um movimento de cabeça.

— Eu não sei se ele sabe.

Luana ergueu o olhar, frio e penetrante.

— Se você não tivesse rompido com a Eliana, teria me contado tudo isso?

Um sorriso constrangido atravessou o rosto de Stephen.

— Não quero mentir para você. Claro que não.

Ele só procurou Luana porque Eliana decidira matá-lo.

O motivo de Eliana querer vê-lo morto era duplo.

Primeiro, queima de arquivo: com ele morto, as mortes de Fernanda e Vanessa ficariam sem testemunhas, perpetuando a crença de que Luana era a assassina, um caso que nem a polícia ousaria reabrir.

Segundo, Stephen era uma pedra no sapato de Eliana; sem ele, o caminho para ela ficar com Sebastião estaria livre.

Luana encarou as pupilas azuis de Stephen e disse, com um sorriso desprovido de calor:

— Eu gosto da sua franqueza. Se eu pedir para você ir comigo à polícia depor, você iria?

Stephen encolheu o pescoço, coçando o rosto em um gesto nervoso.

— É melhor você contar isso diretamente ao Sebastião. Se ele não tem interesse na Eliana, então é apenas uma obsessão unilateral dela. Por pior que o Sebastião seja, duvido que ele encubra essa irmã bastarda.

Luana mergulhou em pensamentos.

Ela recordou de muitas coisas, do emaranhado entre Sebastião e Vanessa.

Todo o passado passou por sua mente como um filme antigo e doloroso.

Ela fechou os olhos, os dedos entrelaçados tremendo levemente.

— O Sebastião ama a Vanessa. Se ele souber que foi a Eliana quem assassinou a mulher da vida dele, ele jamais a perdoará.

Stephen concordou com Luana.

— Exatamente.

Luana abriu os olhos, o olhar fixo no rosto de Stephen, sondando suas intenções.

— Por que você mesmo não vai contar ao Sebastião?

Por que usá-la como intermediária? Qual era o verdadeiro objetivo de Stephen?

— Sebastião não acreditaria em mim.

Stephen balançou a cabeça.

— Afinal, eles são irmãos, cresceram juntos.

— Ele também não vai acreditar em mim.

Luana soltou um riso curto, seco.

Stephen insistiu:

— Vocês foram casados, afinal.

Homem e mulher que dividiram a cama têm um vínculo diferente, pensou Stephen, mas não disse em voz alta.

Sebastião invadira o quarto dela naquele dia de mãos vazias, então ela não sabia onde estavam os pertences dele.

Ao sair do hotel com a bagagem, foi barrada por uma figura.

Luana ergueu os cílios e encarou a mulher impecável à sua frente.

— Algum problema?

Eliana curvou os lábios vermelhos, os olhos brilhando com malícia.

— Você acabou de se encontrar com o Stephen, não foi?

Luana fingiu limpar o ouvido, desinteressada.

— Quem? Do que você está falando?

Eliana estreitou os belos olhos, perigo faiscando em suas íris.

— Pare de fingir. Aquele maldito do Stephen forjou a própria morte para me enganar e enganar a polícia, fazendo com que eles fiquem na minha cola.

Lembrar das notícias explodindo nas redes sociais, apontando-a como a assassina do namorado, fazia o sangue de Eliana ferver.

Ultimamente, a polícia a vigiava de perto, obrigando-a a se esconder.

Ela fugira para a Irlanda buscando paz, mas seus informantes localizaram Stephen.

Saber que ele estava vivo a deixou furiosa.

Luana sabia que Eliana tinha uma rede de capangas, pagos com o dinheiro do Grupo Mendes, apenas para servi-la.

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