— Claro, você adoraria que eu estivesse morta. Mas eu sou dura na queda, o diabo não me quis.
A princípio parecia perfeito, mas a rigidez na expressão facial de "Fernanda" e o tom exagerado levantaram as suspeitas de Luana.
Ela fingiu se aproximar amigavelmente, mas assim que chegou perto, estendeu a mão e agarrou o contorno do rosto da mulher.
— Ai!
Um som de rasgo ecoou.
Nas pontas dos dedos de Luana havia uma máscara de pele sintética.
E a "Fernanda" gritou, cobrindo o rosto com as mãos.
— Levante a cabeça.
Ordenou Luana.
Vendo que a pessoa hesitava, Luana ameaçou com fúria:
— Se a polícia chegar, você não escapa.
"Fernanda" virou-se para correr, mas Luana estava preparada.
Agarrou o colarinho dele.
O vestido retrô se abriu, revelando uma jaqueta preta por baixo.
"Fernanda" levantou a mão para dar um tapa em Luana, mas ela não permitiu.
Segurou o pulso do agressor e, com a outra mão, desferiu um tapa estalado no rosto dele.
— Paff!
Luana arrancou a peruca de "Fernanda".
A aparência real foi exposta.
As pupilas azuis, embora fossem lentes de contato, permitiram que Luana reconhecesse que era um homem mestiço.
Qual o objetivo de se vestir de Fernanda?
Luana levantou a perna e chutou a dobra do joelho do homem.
Ele gemeu e caiu de joelhos.
Luana pisou na mão dele, esmagando-a contra o chão, e disse com voz cruel:
— Fale. Quem é você? Qual a intenção de se passar por Fernanda e me mandar mensagens?
O homem fez uma careta de choro e se rendeu:
— Eu não sou Fernanda, sou homem! Buáá!
Ela não era cega.
Claro que sabia que ele era homem.
Luana aumentou a pressão do pé:
— Se não disser a verdade, não serei piedosa.
— Eu sou o Stephen.
Luana revirou os olhos.
Stephen continuou:
— Eu também morri.
Recebendo o olhar gélido de Luana, Stephen levantou as mãos em rendição:
— Tá bom, eu conto tudo. Mas você tem que me pagar um café.
Logo, Luana levou Stephen para uma cafeteria.
O ambiente tinha uma música suave e elegante.
Stephen tomou um gole de café, lambeu os lábios e disse:
— Eliana quase me matou. Eu forjei minha morte. A polícia está caçando a Eliana por toda parte agora. Aquela mulher é venenosa. Se eu não tivesse enganado ela, eu já seria um cadáver.
Ao falar de Eliana, Stephen demonstrava amor e ódio.
Ele amava o corpo sedutor de Eliana, a paixão ardente dela, mas odiava sua crueldade e frieza.
Stephen falou com os olhos marejados:
— Luana, ela sempre foi a vilã. Foi ela quem matou Vanessa. E Fernanda também. Ela fez você levar a culpa porque queria separar você e o Sebastião. Eliana é uma mulher doente. Ela sempre nutriu uma paixão obsessiva pelo próprio irmão, o Sebastião. É algo incestuoso e insano.
O dedo de Luana, que mexia o café, tremeu.
— O Sebastião sabe disso?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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