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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 280

Conforme a cirurgia de Sebastião se prolongava, Luana começou a ficar inquieta.

Seus dedos estavam entrelaçados com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

Incapaz de se controlar, ela se curvou e encostou o ouvido na porta.

Além de um silêncio absoluto, Luana só conseguia ouvir as batidas frenéticas de seu próprio coração.

Justo quando ela estava prestes a perder o controle e invadir a sala, a porta se abriu.

Ela se afastou rapidamente.

O médico saiu, tirando a máscara cirúrgica:

— A bala passou a 0,01 milímetros do coração. Se fosse um pouco mais tarde, ele não teria resistido.

— Obri... obrigada.

Luana gaguejou.

A maca levou Sebastião, ainda em coma pós-operatório, para o quarto.

Luana olhou para o rosto pálido dele na cama.

Só agora ele parecia quieto.

Só agora aqueles olhos negros e profundos estavam fechados, escondendo o brilho predatório e sombrio.

Sua respiração era uniforme, sem nenhum traço de agressividade.

Luana não ousou tocá-lo, apenas sentou-se ao lado.

Também não ousou sair, com medo de que ele acordasse e precisasse de algo sem ninguém por perto.

Luana disse a si mesma que aquilo definitivamente não era amor ou apego.

Ela estava apenas pagando uma dívida, afinal, Sebastião se feriu por ela.

As palavras do médico ecoavam em sua mente:

"A bala passou a 0,01 milímetros do coração. Se fosse um pouco mais tarde, ele não teria resistido."

Aquela frase a aterrorizava.

Seu coração estava uma bagunça.

Se Sebastião morresse, como ela explicaria para a Dona Camila? E para o Sílvio?

Ao pensar no filho, o peito de Luana apertou novamente.

No silêncio do quarto, um som de notificação "ding" chegou aos seus ouvidos.

Luana baixou os olhos e viu uma mensagem na tela:

"Sou eu, Fernanda. Se quiser saber o que aconteceu há cinco anos, venha me ver. Estou no Quiosque Lanting, em frente ao Hospital M."

Fernanda?

Luana arregalou os olhos e releu a mensagem.

Sim, estava escrito Fernanda.

Mas Fernanda morreu há cinco anos.

Quem estaria se passando por ela?

"No quiosque da esquerda. Minha aparência... você conhece bem, não é?"

O olhar de Luana varreu em direção ao quiosque em frente.

De fato, encostada na grade branca do quiosque, havia uma figura feminina graciosa.

Estava um pouco longe, Luana não conseguia ver com clareza.

Só percebeu que a mulher usava um vestido longo, estilo retrô, e parecia elegante.

Conforme ela se aproximava, Luana finalmente viu o rosto da mulher.

Aquele rosto... era Fernanda.

O coração de Luana falhou uma batida.

Fernanda olhou para ela, com um sorriso de escárnio nos lábios:

— Não imaginava que nos reencontraríamos assim, não é?

Luana examinou Fernanda de cima a baixo.

Sua expressão endureceu.

Quem ficaria feliz depois de ser enganada dessa forma?

— Você não estava morta? Fernanda, que jogo é esse?

Fernanda sorriu para ela.

O sorriso era radiante, mas a expressão facial era mais feia do que choro.

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