Não era generosidade de Sabrino Barbosa.
Na verdade, Lélio Barbosa havia lhe dado um ultimato.
Em cinco dias, o grande projeto do Grupo Amizade precisava ser fechado.
E para sustentar um projeto dessa magnitude, o Grupo Mendes era o parceiro ideal.
Luana Ramos observava Sabrino.
Ele parecia estar com a corda no pescoço.
Ela sabia que Lélio não havia lhe dado muito tempo.
Se o Grupo Amizade não decolasse, o Grupo Barbosa no exterior não poderia retornar.
O prejuízo seria incalculável.
Pois já haviam assinado o acordo de saída do mercado externo.
Luana assentiu, silenciosa.
Ao ver a concordância dela, Sabrino soltou o ar, aliviado.
Ele segurou a mão de Luana.
— Obrigado, Luana. Eu vou te compensar por isso.
Na noite anterior, ele havia mandado investigar.
Sebastião Mendes a perseguiu de carro até a Vila Baía Azul.
Luana entrou no carro de Sebastião.
Mas, segundos depois, desceu.
E Sebastião arrancou com o carro em alta velocidade.
Parecia furioso.
Foi por isso que Sabrino se sentiu seguro para mandá-la negociar com ele.
Luana entrou no Grupo Mendes.
A recepcionista perguntou se ela tinha hora marcada.
Luana disse que não.
A recepcionista pediu desculpas, barrando sua entrada.
Sem saída, Luana ligou para Benito.
Ao atender, Benito não reconheceu o número.
— Olá, quem fala?
— Sou eu, Luana. Benito, o Sr. Sebastião está? Preciso falar com ele sobre uma parceria.
Ao ouvir o nome de Luana, a respiração de Benito travou.
Ele cobriu o bocal do celular.
Virou-se para Sebastião, que estava deitado na cama, rolando o feed do TikTok.
— Sr. Sebastião, é a Srta. Luana. Ela quer discutir uma cooperação.
O dedo de Sebastião parou sobre a tela.
Sua primeira intenção foi recusar.
Mas, num segundo pensamento, ordenou a Benito:
— Mande-a vir ao hospital.
Luana, cansada de esperar, estava prestes a desligar.
Até que a voz de Benito voltou ao telefone:
— Algum problema? — Ele nem levantou a cabeça.
A frieza e o distanciamento em seus traços faziam dele um estranho.
— Sr. Sebastião, o Grupo Amizade é, na verdade, a filial do Grupo Barbosa em Porto Fundo.
Ela respirou fundo.
— Profissionalmente, a família Mendes e a família Barbosa são parentes. Pessoalmente, o senhor conhece a força do Grupo Barbosa. O Grupo Mendes não perderá nada com essa parceria.
Luana terminou de falar.
Sebastião continuou a ignorá-la.
Ele a tratava como se fosse ar.
Luana permaneceu ali, estática, envolta em vergonha.
Sua vontade era dar as costas e sair.
Mas, pelo bem do projeto, não podia.
— Não tenho interesse.
Pareceu que um século havia se passado até ele responder.
O celular foi jogado de lado com um baque seco.
Ele tirou um cigarro do maço e o colocou entre os lábios.
Ergueu as pálpebras preguiçosamente.
Seus olhos profundos e escuros fixaram-se em Luana.
Um sorriso carregado de escárnio curvou seus lábios.
— O Grupo Mendes não precisa de esmolas.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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