Plínio tomou outro gole de bebida e ergueu os olhos.
Viu na entrada do bar um homem alto, de traços marcantes e profundos.
O porteiro conversava com ele.
O homem levantou a cabeça, revelando pupilas de um azul intenso.
Seu olhar cruzou com o de Plínio e, ao avistar Eliana de costas, seu rosto iluminou-se de alegria.
Agradeceu ao porteiro e caminhou elegantemente até eles.
— Eliana, foi tão difícil te encontrar. — disse Stephen, segurando a mão dela.
Eliana manteve a expressão gélida.
Tragou seu cigarro e soprou a fumaça branca diretamente no rosto de Stephen.
— O que você quer?
Os olhos apaixonados de Stephen fixaram-se nela.
— Eliana, estamos juntos há anos... você vai mesmo terminar comigo?
Eliana puxou a mão de volta, libertando-se do toque dele.
Seu sorriso era leve, mas distante como as nuvens.
— Stephen, você conhece meu temperamento.
— Não gosto mais de você.
— E quando perco o interesse por algo, é impossível recuperá-lo.
A franqueza brutal não afastou o estrangeiro; pelo contrário, ele parecia ganhar força na rejeição.
— Eliana, eu sei que você não está satisfeita comigo, mas eu posso mudar.
Mudar?
Como mudar?
Eliana o encarou, com um sorriso de escárnio nos lábios.
— Você pode trocar de rosto?
— Pode se transformar nele?
— Se não pode, sinto muito, não me incomode mais.
A crueldade de Eliana era palpável.
Stephen não sabia exatamente em quem ela queria que ele se transformasse.
Mas sabia que era o homem que habitava o coração dela.
Há cinco anos, conheceram-se no exterior e viveram um romance intenso.
Ele largou tudo para vir a Porto Fundo por ela, entrando no Grupo Mendes através de sua influência.
Achava que o amor duraria para sempre.
A mulher que Plínio havia deixado de lado estendeu os braços macios, enlaçou sua cintura e o arrastou para a pista de dança.
Na mesa, restaram apenas uma Eliana melancólica e um Stephen persistente.
Stephen serviu-se de bebida, enquanto Eliana mantinha o olhar baixo, ignorando-o.
Para Stephen, apenas estar ali, em silêncio ao lado dela, parecia trazer alguma satisfação.
Vendo que ele não iria embora, Eliana apagou o cigarro no cinzeiro com força.
Ela afastou o cabelo da testa e moveu os lábios vermelhos.
— Stephen, diga-me... minha cunhada, ela era bonita?
Stephen franziu a testa.
— A mulher que seu irmão amava?
Eliana assentiu.
— Sim.
— Bonita. — respondeu ele.
Ao ver as sobrancelhas de Eliana se unirem em desgosto, ele apressou-se em corrigir.
— Mas não mais bonita que você.
— No meu coração, Eliana, você é a mais bela, ninguém se compara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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