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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 246

Click. A porta travou.

Luana foi arremessada no banco do carro por Sebastião.

Devido à brutalidade do movimento, a nuca dela bateu contra a lateral do veículo.

Um som surdo.

Luana viu estrelas de dor.

Ela rugiu:

— Sebastião!

Sebastião perguntou, a voz subitamente cheia de dor:

— Machucou?

— Não é da sua conta.

Luana revirou os olhos para ele.

Se ela ainda conseguia retrucar, significava que não era grave.

Sebastião prendeu as duas mãos dela com uma das suas, erguendo-as acima da cabeça dela.

A outra mão começou a rasgar as roupas dela, enquanto sua coxa pressionava firmemente entre as pernas de Luana.

Por mais que lutasse, ela não conseguia escapar daquele domínio absoluto.

Bzzzz, bzzzz.

O toque do celular rasgou o silêncio tenso do carro.

Sebastião liberou uma mão, tateou o bolso dela e sacou o aparelho.

A tela iluminada exibia o nome: "Sabrino".

Aqueles sete caracteres perfuraram o coração de Sebastião como vidro.

Ele arremessou o celular.

Ouviu-se um estouro.

O toque cessou abruptamente.

O para-brisa ganhou um pequeno buraco circular.

Cacos de vidro caíram sobre o painel e o banco do motorista, cintilando friamente sob a luz do poste.

Luana olhou para o buraco no vidro e soltou um riso frio.

Sebastião também riu.

Mas eram sorrisos opostos: um de escárnio, o outro de derrota total.

— Você jogou meu celular fora. Acha que isso apaga o abismo que existe entre nós?

Perguntou Luana.

Sebastião baixou os olhos.

Ele encarou a mulher sob seu corpo.

Embora imobilizada, os olhos que encontravam os dele queimavam com as chamas do ódio.

Ela o odiava. Era óbvio.

E esse ódio, emanando dos ossos dela, enterrou-se no peito dele, fatiando seu coração como lâminas de barbear.

De repente, uma frustração densa e pesada inundou seu sangue, espalhando-se por cada membro.

O celular dele tocou. Era Sabrino.

Sebastião deixou tocar.

Apagou o cigarro, jogou a bituca pela janela, ligou o motor e pisou fundo, o carro desaparecendo da Vila Baía Azul.

Sem conseguir falar com Sebastião, Sabrino ligou para Luana.

Luana atendeu. Antes que pudesse falar, a voz de Sabrino surgiu, ansiosa:

— Luana, por que demorou a atender?

Luana respondeu com calma, abrindo a porta de casa:

— Encontrei um velho conhecido. Conversamos um pouco.

Sabrino parecia tenso, a respiração pesada:

— Você esteve fora por quatro ou cinco anos. Que velho conhecido ainda te reconheceria?

Luana riu:

— Por mais que o tempo passe, se os traços não mudam, as pessoas reconhecem. Já curou a bebedeira?

Ao ouvir o tom relaxado dela, Sabrino relaxou:

— Fui derrubado pelo meu primo. Acordei e não vi você, nem ele.

Por isso Sabrino entrou em pânico e ligou desesperado.

Após uma pausa, ele confessou:

— Tive medo de que ele tivesse te levado. Afinal, vocês... tiveram uma história. Têm um filho. E eu conheço o magnetismo do meu primo. Ele é o homem mais...

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