Click. A porta travou.
Luana foi arremessada no banco do carro por Sebastião.
Devido à brutalidade do movimento, a nuca dela bateu contra a lateral do veículo.
Um som surdo.
Luana viu estrelas de dor.
Ela rugiu:
— Sebastião!
Sebastião perguntou, a voz subitamente cheia de dor:
— Machucou?
— Não é da sua conta.
Luana revirou os olhos para ele.
Se ela ainda conseguia retrucar, significava que não era grave.
Sebastião prendeu as duas mãos dela com uma das suas, erguendo-as acima da cabeça dela.
A outra mão começou a rasgar as roupas dela, enquanto sua coxa pressionava firmemente entre as pernas de Luana.
Por mais que lutasse, ela não conseguia escapar daquele domínio absoluto.
Bzzzz, bzzzz.
O toque do celular rasgou o silêncio tenso do carro.
Sebastião liberou uma mão, tateou o bolso dela e sacou o aparelho.
A tela iluminada exibia o nome: "Sabrino".
Aqueles sete caracteres perfuraram o coração de Sebastião como vidro.
Ele arremessou o celular.
Ouviu-se um estouro.
O toque cessou abruptamente.
O para-brisa ganhou um pequeno buraco circular.
Cacos de vidro caíram sobre o painel e o banco do motorista, cintilando friamente sob a luz do poste.
Luana olhou para o buraco no vidro e soltou um riso frio.
Sebastião também riu.
Mas eram sorrisos opostos: um de escárnio, o outro de derrota total.
— Você jogou meu celular fora. Acha que isso apaga o abismo que existe entre nós?
Perguntou Luana.
Sebastião baixou os olhos.
Ele encarou a mulher sob seu corpo.
Embora imobilizada, os olhos que encontravam os dele queimavam com as chamas do ódio.
Ela o odiava. Era óbvio.
E esse ódio, emanando dos ossos dela, enterrou-se no peito dele, fatiando seu coração como lâminas de barbear.
De repente, uma frustração densa e pesada inundou seu sangue, espalhando-se por cada membro.
O celular dele tocou. Era Sabrino.
Sebastião deixou tocar.
Apagou o cigarro, jogou a bituca pela janela, ligou o motor e pisou fundo, o carro desaparecendo da Vila Baía Azul.
Sem conseguir falar com Sebastião, Sabrino ligou para Luana.
Luana atendeu. Antes que pudesse falar, a voz de Sabrino surgiu, ansiosa:
— Luana, por que demorou a atender?
Luana respondeu com calma, abrindo a porta de casa:
— Encontrei um velho conhecido. Conversamos um pouco.
Sabrino parecia tenso, a respiração pesada:
— Você esteve fora por quatro ou cinco anos. Que velho conhecido ainda te reconheceria?
Luana riu:
— Por mais que o tempo passe, se os traços não mudam, as pessoas reconhecem. Já curou a bebedeira?
Ao ouvir o tom relaxado dela, Sabrino relaxou:
— Fui derrubado pelo meu primo. Acordei e não vi você, nem ele.
Por isso Sabrino entrou em pânico e ligou desesperado.
Após uma pausa, ele confessou:
— Tive medo de que ele tivesse te levado. Afinal, vocês... tiveram uma história. Têm um filho. E eu conheço o magnetismo do meu primo. Ele é o homem mais...

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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