O objetivo da emboscada era apenas o medo de que ela e Sebastião reatassem.
Mas do que Eliana tinha medo?
Havia alguma chance de reatarem?
Sempre foi, e sempre seria, apenas um desejo unilateral dele.
— A Dona Rosalía está bem, e o Sabrino também...
Luana nem terminou a frase, e foi interrompida com irritação por Eliana:
— Não ouse falar deles para mim. Um bando de lixo. "Bem" o caramba.
Obviamente, Rosalía não reconhecia Eliana como filha adotiva da família Mendes, por isso ela foi excluída da lista de convidados.
— Luana, é melhor rezar para que esteja dizendo a verdade. Se você realmente se casou com o Sabrino, eu desejo felicidades. Mas, se estiver mentindo para mim... eu vou fazer você desejar estar morta.
Ela pronunciou as últimas palavras trincando os dentes.
Após o aviso, Eliana entrou no carro e partiu em alta velocidade.
Luana torceu a boca, balançou a cabeça e entrou em seu próprio veículo, acelerando para longe da mansão.
No meio do caminho, pelo retrovisor, percebeu um Porsche Cayenne preto colado em sua traseira.
A placa era familiar.
Luana sentiu a irritação subir.
Pressionou os lábios e pisou fundo no acelerador, voando de volta para o condomínio Vila Baía Azul, casa número dois.
Ela desligou o motor, desceu e encostou-se na lataria, cruzando os braços.
Seu olhar frio fixou-se no Cayenne preto que parou quase simultaneamente.
A porta do Cayenne se abriu.
A figura alta e imponente de Sebastião invadiu sua retina.
O rosto dele estava contra a luz, dificultando a leitura de sua expressão.
Cambaleando levemente, ele parou diante dela.
— O que você quer?
Perguntou Luana.
Vendo o rosto de Luana, indiferente e cruel sob a luz do poste, o coração de Sebastião apertou.
Um gosto amargo subiu por sua garganta.
Seus olhos ficaram vermelhos, marejados:
— O que eu preciso fazer para você voltar? Diga. Qualquer coisa que você disser, eu farei.
Mesmo que ela pedisse as estrelas do céu, ele daria um jeito de arrancá-las.
Ao pensar que aquele homem já dormira abraçado a um esqueleto, Luana sentiu o estômago revirar de nojo.
— Repita.
A fúria nos olhos de Sebastião estava prestes a explodir.
— Suma. Vá para o inferno. O mais longe possível de mim. Nesta vida, não quero ver sua cara nunca mais.
Ha.
Sebastião soltou uma risada curta.
O arco de seus lábios finos era o cúmulo do escárnio.
Ele desviou o olhar do rosto dela para a casa número dois da Vila Baía Azul.
O sangue subiu aos seus olhos.
— Me manda sumir, mas cuida do Sabrino com toda dedicação? Luana, no seu coração, acho que nunca existiu um lugar para mim, Sebastião, não é?
Luana não tinha paciência para discutir.
Virou-se para entrar.
Mas assim que deu um passo, a mão grande de Sebastião prendeu seu pulso.
O som de ossos estalando ecoou, nítido e seco no ar noturno.
— Sebastião!
Enquanto ele a empurrava para dentro do carro, Luana chutava e mordia como uma louca.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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