A carroceria do carro passou raspando por ela, a uma distância de milímetros.
Por pouco, não a esmagou.
Luana abriu os olhos, sentindo um calafrio percorrer a espinha.
O vento cortante da noite agitava seus cabelos.
Seus olhos seguiram o veículo: um carro vermelho-fogo fez um retorno brusco e acelerou novamente em sua direção.
Cantada de pneus.
As rodas pararam a centímetros da ponta de seus pés.
Um par de saltos altos vermelhos tocou o asfalto.
Em seguida, uma silhueta esbelta emergiu.
Sob o véu negro e fino, o rosto era de Eliana.
Luana não esperava que o reencontro com Eliana, após cinco anos, fosse dessa maneira.
Eliana a encarou, cruzando os braços, a sobrancelha fina arqueada em escárnio:
— Vaso ruim não quebra fácil, hein?
Luana curvou os lábios em um sorriso pálido e frio.
Lançou um olhar indiferente e se virou para sair.
Eliana bloqueou seu caminho:
— Cadê meu irmão?
Luana ignorou, contornando-a para seguir em frente.
Eliana correu atrás dela, estendeu a mão e agarrou os cabelos de Luana com violência, gritando:
— Estou falando com você! Ficou muda?
O couro cabeludo doeu.
Luana, sem hesitar, levantou o pé e pisou com força na dobra do joelho de Eliana.
Eliana foi ao chão instantaneamente.
Luana praguejou:
— Louca.
Aos olhos de Luana, Eliana nunca teve um pingo de sanidade.
— Louca é você! Sua família inteira é louca!
Eliana se levantou do chão, avançando sobre Luana como uma maníaca:
— Não pense que meu irmão veio a essa festa porque gosta de você. Fique sabendo: ele sempre amou a Vanessa! O cabelo dele ficou branco por causa da Vanessa! E mais... aquele esqueleto na cama dele há cinco anos... também era da Vanessa!
Ao ouvir as palavras de Eliana, Luana estancou.
Ela virou o rosto lentamente, o olhar para Eliana misturando dúvida e horror:
— O que Sebastião fazia com os ossos da Vanessa na cama?
Ele era um pervertido?
Eliana soltou uma risada sarcástica e estridente:
— O que você acha? Nós somos adultos. Só um amor profundo faz alguém ignorar a barreira da morte.
Eliana segurou sua mão, a voz gelada:
— Você realmente se casou com o Sabrino?
Pelo visto, as notícias de Eliana eram rápidas.
Luana pensou que, talvez, desde o momento em que pisou de volta em Porto Fundo, essa mulher estivesse monitorando seus passos.
— Sim.
Luana assentiu.
— Então, não venha me perturbar no futuro. Não temos mais nada a ver um com o outro.
O desejo de Luana de traçar uma linha divisória com a família Mendes era absoluto.
A dor fora grande demais. A única opção foi esquecer.
Depois de renascer das cinzas com tanto esforço, por que ela voltaria atrás?
A expressão de Eliana suavizou ligeiramente.
— Na verdade, eu também não gosto de vir atrás de você. Mas hoje... eu estava com um nó na garganta.
Eliana olhou para a mansão iluminada ao longe.
Luana percebeu.
Aquela mulher queria participar do banquete de hoje à noite.
Mas a família Barbosa não a convidou.
Então, Eliana ficou na porta, como um cão de guarda, esperando para emboscá-la.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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