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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 244

A carroceria do carro passou raspando por ela, a uma distância de milímetros.

Por pouco, não a esmagou.

Luana abriu os olhos, sentindo um calafrio percorrer a espinha.

O vento cortante da noite agitava seus cabelos.

Seus olhos seguiram o veículo: um carro vermelho-fogo fez um retorno brusco e acelerou novamente em sua direção.

Cantada de pneus.

As rodas pararam a centímetros da ponta de seus pés.

Um par de saltos altos vermelhos tocou o asfalto.

Em seguida, uma silhueta esbelta emergiu.

Sob o véu negro e fino, o rosto era de Eliana.

Luana não esperava que o reencontro com Eliana, após cinco anos, fosse dessa maneira.

Eliana a encarou, cruzando os braços, a sobrancelha fina arqueada em escárnio:

— Vaso ruim não quebra fácil, hein?

Luana curvou os lábios em um sorriso pálido e frio.

Lançou um olhar indiferente e se virou para sair.

Eliana bloqueou seu caminho:

— Cadê meu irmão?

Luana ignorou, contornando-a para seguir em frente.

Eliana correu atrás dela, estendeu a mão e agarrou os cabelos de Luana com violência, gritando:

— Estou falando com você! Ficou muda?

O couro cabeludo doeu.

Luana, sem hesitar, levantou o pé e pisou com força na dobra do joelho de Eliana.

Eliana foi ao chão instantaneamente.

Luana praguejou:

— Louca.

Aos olhos de Luana, Eliana nunca teve um pingo de sanidade.

— Louca é você! Sua família inteira é louca!

Eliana se levantou do chão, avançando sobre Luana como uma maníaca:

— Não pense que meu irmão veio a essa festa porque gosta de você. Fique sabendo: ele sempre amou a Vanessa! O cabelo dele ficou branco por causa da Vanessa! E mais... aquele esqueleto na cama dele há cinco anos... também era da Vanessa!

Ao ouvir as palavras de Eliana, Luana estancou.

Ela virou o rosto lentamente, o olhar para Eliana misturando dúvida e horror:

— O que Sebastião fazia com os ossos da Vanessa na cama?

Ele era um pervertido?

Eliana soltou uma risada sarcástica e estridente:

— O que você acha? Nós somos adultos. Só um amor profundo faz alguém ignorar a barreira da morte.

Eliana segurou sua mão, a voz gelada:

— Você realmente se casou com o Sabrino?

Pelo visto, as notícias de Eliana eram rápidas.

Luana pensou que, talvez, desde o momento em que pisou de volta em Porto Fundo, essa mulher estivesse monitorando seus passos.

— Sim.

Luana assentiu.

— Então, não venha me perturbar no futuro. Não temos mais nada a ver um com o outro.

O desejo de Luana de traçar uma linha divisória com a família Mendes era absoluto.

A dor fora grande demais. A única opção foi esquecer.

Depois de renascer das cinzas com tanto esforço, por que ela voltaria atrás?

A expressão de Eliana suavizou ligeiramente.

— Na verdade, eu também não gosto de vir atrás de você. Mas hoje... eu estava com um nó na garganta.

Eliana olhou para a mansão iluminada ao longe.

Luana percebeu.

Aquela mulher queria participar do banquete de hoje à noite.

Mas a família Barbosa não a convidou.

Então, Eliana ficou na porta, como um cão de guarda, esperando para emboscá-la.

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