O cheiro de álcool e o aroma amadeirado de pinho invadiram os sentidos de Luana.
Ele a beijava, a voz rouca e carregada de uma profundidade obscura ecoando em seu ouvido:
— Luana, sentiu minha falta?
Cinco anos.
Cinco longos anos.
Sebastião recusava-se a acreditar que Luana nunca tivesse pensado nele.
Dentes afiados se abriram.
Uma mordida brutal.
O gosto metálico de sangue se espalhou, misturando-se na boca de ambos.
Sebastião parecia não se importar; mesmo com os lábios dormentes de dor, ele não tinha a menor intenção de soltá-la.
Porque, por aquele momento, ele esperou uma eternidade.
Quantas noites ele acordou enfrentando apenas o ar gélido e a desolação da madrugada?
Agora, finalmente, uma Luana viva estava em seus braços.
O corpo quente.
Capaz de retrucar, de sentir raiva, de explodir, de fuzilá-lo com o olhar.
Como ele poderia soltá-la?
Nesta vida, ele nunca mais a deixaria ir.
Luana achou a situação risível.
Ela não esperava que, após cinco anos, Sebastião fizesse uma pergunta tão patética.
Pelo visto, o homem estava bêbado a ponto de delirar.
— Sebastião, eu não sou a sua amada. Olhe bem. Eu sou a Luana. A Luana que você odeia até a alma. Eu não voltei para reatar nada com você.
A fúria de Luana era palpável, mas as pupilas avermelhadas do homem permaneciam imóveis, como um lago morto.
Ele beijou a bochecha dela, as pontas dos dedos trêmulas acariciando seu rosto:
— Eu sei. Você voltou pelo Sílvio, não foi?
A menção a Sílvio foi como uma agulha perfurando o coração de Luana.
Era a carne de sua carne.
Durante cinco anos, ela reprimiu desesperadamente a saudade, tentando forçar sua vida a voltar ao ponto inicial, onde Sílvio não existia.
Mas quando Sebastião pronunciou o nome da criança, a represa se rompeu como um vulcão em erupção.
— Não.
Ela endureceu o coração, transformando-o em pedra:
Ao voltar para a sala de jantar, os empregados já recolhiam os restos do banquete.
Sabrino não estava à vista.
Ao questionar um empregado, foi informada de que o Senhor havia bebido demais e estava descansando no andar de cima.
Luana subiu.
Encontrou Sabrino desmaiado no sofá, completamente inconsciente.
Chamou por ele duas vezes, sem resposta.
Para estar nesse estado, devia ter sido forçado a beber por Sebastião até cair.
Sebastião, desde o momento em que pisou na mansão da família Barbosa, não tinha boas intenções.
Luana pegou uma toalha para limpar o rosto de Sabrino e o cobriu com um edredom.
Virou-se e saiu do quarto.
Desceu as escadas, parou na sala e olhou para onde Rosalía e Camila conversavam anteriormente, mas não viu ninguém.
Queria avisar Rosalía, mas não encontrou viva alma.
Luana saiu da mansão.
De repente, um farol alto cortou a escuridão, cegando seus olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Por favor, libera mais capítulos!...