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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 243

O cheiro de álcool e o aroma amadeirado de pinho invadiram os sentidos de Luana.

Ele a beijava, a voz rouca e carregada de uma profundidade obscura ecoando em seu ouvido:

— Luana, sentiu minha falta?

Cinco anos.

Cinco longos anos.

Sebastião recusava-se a acreditar que Luana nunca tivesse pensado nele.

Dentes afiados se abriram.

Uma mordida brutal.

O gosto metálico de sangue se espalhou, misturando-se na boca de ambos.

Sebastião parecia não se importar; mesmo com os lábios dormentes de dor, ele não tinha a menor intenção de soltá-la.

Porque, por aquele momento, ele esperou uma eternidade.

Quantas noites ele acordou enfrentando apenas o ar gélido e a desolação da madrugada?

Agora, finalmente, uma Luana viva estava em seus braços.

O corpo quente.

Capaz de retrucar, de sentir raiva, de explodir, de fuzilá-lo com o olhar.

Como ele poderia soltá-la?

Nesta vida, ele nunca mais a deixaria ir.

Luana achou a situação risível.

Ela não esperava que, após cinco anos, Sebastião fizesse uma pergunta tão patética.

Pelo visto, o homem estava bêbado a ponto de delirar.

— Sebastião, eu não sou a sua amada. Olhe bem. Eu sou a Luana. A Luana que você odeia até a alma. Eu não voltei para reatar nada com você.

A fúria de Luana era palpável, mas as pupilas avermelhadas do homem permaneciam imóveis, como um lago morto.

Ele beijou a bochecha dela, as pontas dos dedos trêmulas acariciando seu rosto:

— Eu sei. Você voltou pelo Sílvio, não foi?

A menção a Sílvio foi como uma agulha perfurando o coração de Luana.

Era a carne de sua carne.

Durante cinco anos, ela reprimiu desesperadamente a saudade, tentando forçar sua vida a voltar ao ponto inicial, onde Sílvio não existia.

Mas quando Sebastião pronunciou o nome da criança, a represa se rompeu como um vulcão em erupção.

— Não.

Ela endureceu o coração, transformando-o em pedra:

Ao voltar para a sala de jantar, os empregados já recolhiam os restos do banquete.

Sabrino não estava à vista.

Ao questionar um empregado, foi informada de que o Senhor havia bebido demais e estava descansando no andar de cima.

Luana subiu.

Encontrou Sabrino desmaiado no sofá, completamente inconsciente.

Chamou por ele duas vezes, sem resposta.

Para estar nesse estado, devia ter sido forçado a beber por Sebastião até cair.

Sebastião, desde o momento em que pisou na mansão da família Barbosa, não tinha boas intenções.

Luana pegou uma toalha para limpar o rosto de Sabrino e o cobriu com um edredom.

Virou-se e saiu do quarto.

Desceu as escadas, parou na sala e olhou para onde Rosalía e Camila conversavam anteriormente, mas não viu ninguém.

Queria avisar Rosalía, mas não encontrou viva alma.

Luana saiu da mansão.

De repente, um farol alto cortou a escuridão, cegando seus olhos.

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