Plaft.
O som do tapa estalou no ar.
A marca vermelha de cinco dedos surgiu instantaneamente no rosto de Eliana.
Como se não pudesse acreditar, ela olhou atordoada para Sebastião.
Sebastião, percebendo que havia batido na irmã, deixou o arrependimento cruzar seu rosto e, de repente, apertou os lábios em silêncio.
Eliana soluçava, sua voz saindo fanhosa e carregada:
— Mamãe a mima, e você também.
— Ela é só uma interesseira, onde foi que eu errei?
— Ela é a árvore de dinheiro do Luciano, ela...
Incapaz de ouvir mais e temendo que as palavras de Eliana fizessem a situação sair do controle, Sebastião agarrou-a e arrastou-a para fora.
Luana permaneceu ali, a exaustão envolvendo seu corpo, sentindo-se cada vez mais fraca e inerte.
Suas mãos, caídas ao lado do corpo, fecharam-se involuntariamente em punhos.
O corpo tremia incontrolavelmente.
Os dentes rangiam tanto que pareciam prestes a se quebrar.
E as lágrimas rolavam dos cantos dos olhos, mais rápidas, mais ferozes, mais violentas.
Do lado de fora, vinha o som dos gritos de Eliana:
— Ela não vale nada, ela matou a Vanessa, eu a odeio, eu a odeio!
O "eu a odeio" de Eliana caía repetidamente nos ouvidos de Luana.
Luana ficou paralisada no lugar, imóvel, enquanto uma dor aguda e densa envolvia seu coração.
Dois minutos depois, Sebastião voltou.
Vendo o rosto dela pálido como o de um espectro, ele baixou os olhos, ignorando a dor em seu próprio peito, e falou com um tom de desculpas:
— Eliana tem esse temperamento, não leve a sério o que ela diz.
— Quando nos casamos, o Grupo Mendes realmente deu um bilhão ao Grupo Ramos?
Luana perguntou diretamente.
Sebastião não soube como responder.
Afinal, naquela época, o Grupo Mendes realmente havia dado um bilhão ao Grupo Ramos, e fora Luciano quem pedira o valor.
Mas Sebastião não contaria a verdade a Luana.
Antes, ele estava com muita raiva, perdera a razão e acabara falando demais sem querer.
Agora, arrependia-se amargamente.
Mas, inesperadamente, naquela noite, Luciano a chamou no escritório.
Luciano segurou suas mãos, tremendo de emoção, e perguntou:
— Você realmente quer se casar com Sebastião?
— Sim.
As bochechas de Luana queimavam tanto que ela mal ousava olhar nos olhos de Luciano.
— Luana, você é realmente minha boa filha.
— A família Mendes concordou.
— Escolha uma boa data, e você e Sebastião poderão se casar.
Parecia um sonho.
Luana esteve imersa em felicidade e ilusão o tempo todo.
Ela sequer analisou a expressão de Luciano com cuidado.
Pensando bem agora, Luciano parecia excessivamente agitado na época.
Não era preciso dizer muito: o bilhão devia ter caído na conta.
E ela, sobre a transação entre o Grupo Ramos e o Grupo Mendes, não sabia absolutamente de nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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