No fim, o amor dela também não era mais puro.
Ela fora uma tola, uma idiota.
Deixou que todos a conduzissem pelo nariz, achando que havia encontrado a felicidade.
Alguém ligou para Sebastião; o assunto parecia urgente.
Sebastião desligou, mas o toque soou novamente, obstinado.
Por fim, ele atendeu e teve que sair, resignado.
Antes de partir, olhou para o rosto pálido de Luana e franziu a testa, preocupado.
— Aconteceu algo na empresa, preciso resolver.
— Não pense demais.
— Não importa o que aconteça, já passou.
Dito isso, ele saiu apressado.
Naquele dia, Luana não disse uma única palavra.
Em sua mente, ecoava incessantemente a frase de Eliana:
— "Ela é a árvore de dinheiro do Luciano."
— "Luciano vendeu a filha por glória, apenas para salvar o Grupo Ramos."
— "O Grupo Ramos já teve alguma glória?"
As palavras de Eliana e Sebastião alternavam-se em seus sonhos, fazendo-a acordar de pesadelos coberta de suor frio.
Luana parou diante da janela panorâmica, observando o reflexo da mulher no vidro.
O rosto da mulher estava tão branco quanto seus lábios.
Os olhos, outrora brilhantes, pareciam cobertos por uma camada de cinzas, sem qualquer vestígio da vivacidade e charme de antes.
Os cabelos negros caíam sobre os ombros, fazendo-a parecer, literalmente, uma alma penada e doente.
Voltando-se, ela olhou para o familiar Sílvio na cama.
Caminhou lentamente até ele e deslizou a ponta dos dedos suavemente pelo rosto rosado da criança.
Lágrimas caíram sobre a bochecha do bebê, deixando a pele macia reluzente de água.
O celular vibrou.
Com medo de acordar o bebê, Luana colocava o celular no silencioso todas as noites antes de dormir.
Ela enxugou as lágrimas do rosto, recompôs suas emoções e atendeu:
— Alô.
— Srta. Luana, há um homem chamado Nilo aqui.
— Ele diz ser irmão de Fernanda e trouxe um acordo de aposta.
— Chamamos especialistas para verificar, e o acordo é verdadeiro; tem a assinatura do Sr. Luciano.
— Srta. Luana, o que faremos?
Fausto perguntou, ansioso, ao ver o rosto dela empalidecer.
A garganta de Luana estava fechada; ela não conseguia emitir uma única palavra.
Luís fumava um cigarro atrás do outro, parecendo espremer o cérebro sem conseguir encontrar uma solução.
Era preciso admitir: Luciano fora realmente cruel.
No coração dele, Luana nunca fora vista como filha.
Mas ela era filha biológica dele!
Ela, sua própria carne e sangue, era menos importante que uma amante.
O coração de Luana rasgava-se de dor.
A noite avançava.
Luana pediu que Fausto e Luís fossem para casa, mas eles não queriam deixá-la sozinha.
Só após a insistência dela é que ambos, relutantes, moveram os pés.
No escritório vazio, Luana ficou só, uma figura solitária sentada ali.
Ela olhou para o céu noturno, escuro como breu, pela janela.
O sabor amargo da desolação transbordou lentamente de sua garganta.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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