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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 214

No fim, o amor dela também não era mais puro.

Ela fora uma tola, uma idiota.

Deixou que todos a conduzissem pelo nariz, achando que havia encontrado a felicidade.

Alguém ligou para Sebastião; o assunto parecia urgente.

Sebastião desligou, mas o toque soou novamente, obstinado.

Por fim, ele atendeu e teve que sair, resignado.

Antes de partir, olhou para o rosto pálido de Luana e franziu a testa, preocupado.

— Aconteceu algo na empresa, preciso resolver.

— Não pense demais.

— Não importa o que aconteça, já passou.

Dito isso, ele saiu apressado.

Naquele dia, Luana não disse uma única palavra.

Em sua mente, ecoava incessantemente a frase de Eliana:

— "Ela é a árvore de dinheiro do Luciano."

— "Luciano vendeu a filha por glória, apenas para salvar o Grupo Ramos."

— "O Grupo Ramos já teve alguma glória?"

As palavras de Eliana e Sebastião alternavam-se em seus sonhos, fazendo-a acordar de pesadelos coberta de suor frio.

Luana parou diante da janela panorâmica, observando o reflexo da mulher no vidro.

O rosto da mulher estava tão branco quanto seus lábios.

Os olhos, outrora brilhantes, pareciam cobertos por uma camada de cinzas, sem qualquer vestígio da vivacidade e charme de antes.

Os cabelos negros caíam sobre os ombros, fazendo-a parecer, literalmente, uma alma penada e doente.

Voltando-se, ela olhou para o familiar Sílvio na cama.

Caminhou lentamente até ele e deslizou a ponta dos dedos suavemente pelo rosto rosado da criança.

Lágrimas caíram sobre a bochecha do bebê, deixando a pele macia reluzente de água.

O celular vibrou.

Com medo de acordar o bebê, Luana colocava o celular no silencioso todas as noites antes de dormir.

Ela enxugou as lágrimas do rosto, recompôs suas emoções e atendeu:

— Alô.

— Srta. Luana, há um homem chamado Nilo aqui.

— Ele diz ser irmão de Fernanda e trouxe um acordo de aposta.

— Chamamos especialistas para verificar, e o acordo é verdadeiro; tem a assinatura do Sr. Luciano.

— Srta. Luana, o que faremos?

Fausto perguntou, ansioso, ao ver o rosto dela empalidecer.

A garganta de Luana estava fechada; ela não conseguia emitir uma única palavra.

Luís fumava um cigarro atrás do outro, parecendo espremer o cérebro sem conseguir encontrar uma solução.

Era preciso admitir: Luciano fora realmente cruel.

No coração dele, Luana nunca fora vista como filha.

Mas ela era filha biológica dele!

Ela, sua própria carne e sangue, era menos importante que uma amante.

O coração de Luana rasgava-se de dor.

A noite avançava.

Luana pediu que Fausto e Luís fossem para casa, mas eles não queriam deixá-la sozinha.

Só após a insistência dela é que ambos, relutantes, moveram os pés.

No escritório vazio, Luana ficou só, uma figura solitária sentada ali.

Ela olhou para o céu noturno, escuro como breu, pela janela.

O sabor amargo da desolação transbordou lentamente de sua garganta.

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