— Sebastião, por que você simplesmente não morre?
Essa frase soou como uma maldição, martelando os nervos cranianos de Sebastião.
Ela o odiava.
Odiava-o a ponto de desejar sua morte.
A expressão de Sebastião tornou-se fria e aterrorizante.
Na têmpora, veias azuis saltaram, pulsando violentamente.
No auge do desespero, qualquer palavra capaz de ferir o outro serve como arma.
— Sim.
Ele admitiu.
— A mulher que se envolveu com Elpídio foi uma garota de programa que eu paguei.
— Luana, já que você se arrepende de ter tido Sílvio, por que luta contra mim?
Sebastião encarou Luana, com os cantos dos olhos avermelhando lentamente:
— Mesmo que ganhasse a guarda, com que você o sustentaria?
— Com o seu Grupo Ramos, que está à beira da falência?
Sebastião a desprezava tanto que suas palavras eram lâminas afiadas, perfurando diretamente o fundo da alma de Luana.
A dor foi engolida à força; ela precisou se apoiar na parede para sustentar o corpo sem forças.
Ela olhou com ódio para Sebastião, endireitando a espinha:
— Eu sei que vocês sempre me desprezaram.
— Mas eu juro, vou gerir o Grupo Ramos e fazê-lo recuperar sua glória do passado.
Sebastião torceu o nariz, repetindo com escárnio:
— Glória do passado?
— O Grupo Ramos já teve alguma glória?
— Luciano Ramos vendeu a filha por honra, apenas para salvar o Grupo Ramos.
— Luana, pode-se dizer isso em casa, mas lá fora, quem conhece a verdade vai rir da sua cara.
As palavras impiedosas de Sebastião apunhalaram o coração de Luana.
Talvez surpresa com a fala de Sebastião, ela observou a expressão dele com dor.
Aquela dor transformou-se gradualmente em desorientação.
E então, ela gargalhou alto, com as lágrimas rolando e borrando sua visão.
Sebastião dizia que o pai dela havia vendido a esposa e a filha por glória; no coração de Sebastião, era assim que ele sempre vira Luciano.
Mas Luana sabia que seu pai não era esse tipo de pessoa.
Incapaz de conter a angústia em seu coração, Luana rugiu:
— Não ouse difamar meu pai.
No fundo, Sebastião não queria destruir Luana daquela forma.
Ele passou a mão pelos cabelos, irritado, e gritou com Eliana:
— Saia daqui.
Mas Eliana não lhe deu ouvidos; lançou-lhe um olhar de desdém e continuou:
— Mamãe mima você, te estragou.
— Luana, não pense que só porque teve um filho com ele, você virou uma heroína.
— Mulheres querendo ter um filho com meu irmão formam uma fila de Porto Fundo até o fim da cidade.
— Cale a boca! Se disser mais uma palavra, acredita que eu te bato?
Sebastião não permitiria que Eliana dissesse mais nada.
Vendo Sebastião ser agressivo com ela, Eliana começou a chorar imediatamente:
— Você só sabe gritar comigo!
— Olha no que você a transformou, mimando-a desse jeito.
— Ela já está querendo montar em cima de você.
— O que eu disse é a verdade.
— Um bilhão, esse foi o dinheiro suado do nosso Grupo Mendes.
— Essa mulher... ela não vale nada.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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