— O senhor, a Dona disse que, se não for subir para o banho, deve trocar de roupa.
Suzana saiu do aposento.
Sebastião olhou para a camisa branca imaculada à sua frente, depois baixou o olhar para o colarinho.
De fato, havia uma leve mancha avermelhada no canto, provavelmente o batom daquela mulher que viera puxar João e acabou esbarrando nele acidentalmente.
Luana nem se importaria.
Sebastião achou que Camila estava fazendo tempestade em copo d'água.
Ele sorriu com escárnio de si mesmo.
Clicou na caixa de entrada, respondeu aos e-mails não lidos, saiu do escritório e voltou para o quarto, que estava vazio e silencioso.
O coração de Sebastião deu um salto inexplicável.
Ele estendeu a mão e tocou a colcha dobrada com perfeição; o calor residual penetrou nas pontas dos dedos e atingiu seu coração, fazendo com que a tensão finalmente relaxasse um pouco.
Entrou no banheiro, despiu-se e ligou o chuveiro, deixando a água quente lavar imediatamente o cansaço do corpo.
Teresa e Suzana disputavam quem alimentaria o bebê, então Luana voltou ao quarto para pegar fraldas.
Assim que entrou, viu as roupas do homem jogadas sobre a cama: o terno e a gravata repousavam em desordem.
Do banheiro, vinha o som da água caindo.
O homem, há muito ausente, havia retornado.
Luana pegou as fraldas e estava prestes a sair, mas algo lhe ocorreu.
Ela recuou para dentro do quarto, com o coração apertado em um nó de conflito.
Clique.
Com o abrir da porta do banheiro, o coração de Luana pareceu acompanhar o som da fechadura, tremendo em uníssono.
Sebastião ergueu os olhos e viu Luana, que parecia indecisa entre sair e entrar, parada na porta como uma estátua.
Ele pegou uma toalha e secou o cabelo de qualquer jeito.
Tirou a toalha da cintura, vestiu roupas limpas e, vendo que Luana permanecia ali, rígida, prestes a ir embora, ele a chamou:
— Vamos conversar.
Luana respondeu com um simples: — Tudo bem.
— Encontraram o corpo de Fernanda. — A voz de Sebastião soou morna, quase gélida, como se desprovida de qualquer emoção.
Ao ouvir o nome de Fernanda, os alarmes de Luana dispararam.
E ao ouvir que o corpo havia sido encontrado, o ânimo de Luana despencou para um abismo gelado.
Vendo que Luana não dizia nada, Sebastião soube que ela estava nervosa.
— Você deve saber o que significa o fato de terem encontrado o corpo de Fernanda, não sabe?
— Eu não matei ninguém.
Luana ergueu a cabeça, encarando Sebastião fixamente, com os olhos marejados por uma névoa líquida.
— Sebastião, por favor, acredite em mim.
Ela disse que se arrependia de ter tido um filho com ele, arrependia-se de ter dado à luz a Sílvio.
Sebastião não queria se irritar com ela, mas, no fim, não conseguiu segurar a fúria que revirava em seu peito como um mar tempestuoso.
— Se não queria ter um filho meu, queria ter de quem?
— Do Nuno?
Luana, exasperada, retrucou:
— Eu nunca pensei em ficar com o Nuno.
Sebastião soltou um riso de escárnio:
— Não quer ficar com ele, mas vive grudada nele o dia todo.
— Luana, você é uma mulher hipócrita.
— Eu, Sebastião, devo estar enfeitiçado para ter sentido alguma compaixão...
Sebastião não conseguiu terminar a frase, pois foi cortado por Luana:
— Sebastião, você me humilha desse jeito e não permite nem que meu irmão me ajude?
A resignação de Luana explodiu completamente:
— Para ganhar o processo, você foi vil o suficiente para drogar meu advogado e contratar uma mulher para seduzi-lo, impedindo-o de comparecer ao tribunal.
— Sebastião, por que você simplesmente não morre?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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